No coração do Alto Douro Vinhateiro, nas encostas da Folgosa do Douro, sub-região do Baixo Corgo, nasce a Casa da Réssa, uma nova produtora vitivinícola que procura traduzir a alma crua e intemporal desta região. “A identidade da Casa da Réssa nasce do território e da autenticidade. Procuramos dar voz à alma crua e intemporal do Douro, resgatando práticas antigas e ligando-as a uma visão contemporânea”, explica o empresário e dono do projeto, Alexandre Dias. Para a produtora, cada garrafa é uma viagem emocional a socalcos quase secretos, onde a história, o território e o saber tradicional se encontram.
Num mercado português cada vez mais competitivo, a marca aposta na fusão de três elementos distintivos. “Acreditamos que o nosso diferencial está na junção de três elementos: a autenticidade do vinho de agricultor; a sofisticação da enologia do Paulo Nunes, que traduz o território; e a exclusividade de microparcelas singulares”, afirma o responsável. Os vinhos da Casa da Réssa são de maturação lenta, expressão crua e elegância natural, concebidos para revelar um Douro genuíno e não-domesticado.
O branding reflete esta filosofia. O nome é inspirado na palavra antiga do Douro “réssa”, que significa réstia de sol, e evoca luz, tempo, delicadeza e território. A identidade visual recorre à paleta do Douro – tons quentes da terra, verdes resinosos e luz dourada de fim de tarde –, com rótulos minimalistas e texturas tácteis que traduzem a “rusticidade elegante da região”. O objetivo é reforçar a ideia de um “produto de origem artesanal, mas contemporâneo”.
A comunicação do lançamento foca-se na curadoria e autenticidade, privilegiando canais especializados, sommeliers e meios editoriais, em Portugal e, posteriormente, em mercados internacionais estratégicos. “Trabalhamos com parceiros que entendem o posicionamento da marca e ajudam a contar a nossa história com profundidade”, sublinha Alexandre Dias, destacando ainda os conteúdos digitais que vão desenvolvendo e que aproximam o consumidor à narrativa do território.
A sustentabilidade e inovação são pilares centrais. “A nossa abordagem à sustentabilidade é enraizada no respeito pelo território. As vinhas são maioritariamente velhas, cuidadas de forma regenerativa e com mínima intervenção”, revela o empresário.
Ao mesmo tempo, a inovação surge ao valorizar o invisível vinho do agricultor – cru, direto, de fruta pura – e ao levá-lo mais longe, cruzando terroirs, afinando detalhes enológicos e elevando a sua expressão sem lhe tirar a alma. “Em vez de slogans ou campanhas convencionais, escolhemos contar histórias. Falamos do vinho como extensão de um território e de uma cultura viva. A pipa, que antes ficava na tasca do bairro, hoje viaja até Paris, Nova Iorque ou São Paulo – sem perder a autenticidade nem a exclusividade”.
A curto e médio prazo, a Casa da Réssa planeia lançamentos cirúrgicos de vinhos de vinha de alta qualidade e, do Porto, vintages e de colheitas brancas, com expansão inicial para França antes de explorar outros mercados. Alexandre Dias resume a ambição: “É esta a nossa riqueza, esta ‘manta de retalhos’ que gera harmonia”.
Carolina Neves


