Rubens e Cristiano contam à Briefing que ficaram encantados com a região a primeira vez que a visitaram. Sentiram-na primeiro “quase como uma segunda pátria” e, depois, como “o destino ideal para um projeto único que pretende fortalecer o legado histórico do Douro”.
O cenário deste projeto são as quintas da Costa de Cima e do Sol, que contam com uma vasta área de vinhas centenárias, com, pelo menos, 60 castas diferentes. “Escolhemos o caminho mais longo e difícil, de preservar o património genético que existia, as vinhas velhas foram preservadas e sabemos hoje que temos a maior área de mancha de vinhas velhas contíguas da Região Demarcada do Douro”, enquadram. Numa outra parcela, de grandes dimensões, construíram, de raiz, uma adega, com capacidade de vinificar toda a produção, uma vez que só trabalham com uvas próprias.
“Um novo legado do Douro” é a assinatura com que se apresenta a Menin Douro Estates, uma marca que definem como “moderna, viajada, humanizada, aspiracional e que quer, sobretudo, manter as fortes raízes da região”. “Somos novos no setor, mas queremos desde já, e a curto prazo, ficar na mente dos nossos consumidores como uma marca que se traduz em qualidade, sustentabilidade, inovação, disrupção, longevidade… uma marca feita por pessoas que querem reforçar o posicionamento dos vinhos do Douro no mundo”, reforçam.
Dos vinhos que produzem, Rubens Menin e Cristiano Gomes dizem, pois, que pretendem representar o que de melhor se faz no Douro, “dentro das suas infinitas possibilidades de produção”. Com enologia de João Rosa Alves e Tiago Alves de Sousa, são 11 os que compõem o portefólio. A estreia aconteceu com a gama Reserva (branco e tinto), seguiram-se os monovarietais (touriga nacional, tinta roriz e touriga franca). Posteriormente, os Grande Reserva tinto e branco. O mais recente é o D. Beatriz, que viu a luz do dia no final de 2023. Dos vinhos do Porto, há um Vintage e um Late Bottled Vintage, estando a caminho um Tawny.
Quanto à “joia da coroa”, como descrevem o D. Beatriz, deve o nome à infanta que viveu na segunda metade do século XV, que associam à chegada dos portugueses ao Brasil. Mas é também uma homenagem a uma Beatriz contemporânea, a mulher de Rubens Menin. “Apaixonada, atenta ao legado histórico e com uma visão de futuro, fez o caminho inverso – do Brasil para Portugal – onde inspirou, inequivocamente, a criação deste vinho”, partilham.
Os dois empresários notam que este é um projeto que, na missão de enaltecer o Douro, pretende colocar os seus vinhos em todo o mundo, mas sublinham que, primeiro, ambicionam conquistar o mercado português: “Acreditamos que é aqui mesmo que vamos construir a nossa marca que, posteriormente, será catapultada para fora.”
Nos planos está o propósito de recuperar as vinhas velhas e manter vivas as respetivas castas. Mas também o investimento em enoturismo, nomeadamente a restauração de um antigo apeadeiro nas margens do Douro, o aperfeiçoamento das salas de prova da adega, que ficarão concluídas este ano. E, num horizonte mais distante, pode estar a recuperação de imóveis antigos existentes na propriedade e conversão num hotel ou numa guest house.
Fátima de Sousa





