Recuamos no tempo até 2005, data que marca o primeiro rótulo da Moço Wine Branding. O nome do atelier não tem muita história, uma vez que é o apelido do fundador, e o principal objetivo também não: como Filipe Moço conta, passa por individualizar cada vinho através da sua imagem.
Um primeiro rótulo para vinho, em regime freelancer, para João Póvoa, produtor de vinho na Bairrada, foi o arranque deste projeto. Filipe Moço, o designer, assume ter ficado “encantado”, não só com o vinho, mas com as pessoas e os aromas da adega. Aquele ambiente transportou-o até à sua infância, relembrando a ajuda que deu aos avós na produção de vinho caseiro. Este interesse, aliado à necessidade de um novo rumo profissional e à sua paixão pelos vinhos e pelo design, fez nascer a Moço Wine Branding.
O atelier sempre teve como objetivo idealizar e realizar trabalhos de “qualidade superior” e hoje trabalha para alcançar a excelência. Sempre com foco no wine branding, a equipa dá rumo ao seu trabalho privilegiando estratégia, consultoria, redes sociais e design gráfico como principais áreas de intervenção.
“Cada projeto tem uma história com pequenos detalhes, que fazem toda a diferença não só na idealização, mas também na resolução do mesmo”: pelo menos, assim acredita Filipe Moço. Conta, ainda, que é no contacto direto com o produtor, com o enólogo e com colaboradores e pessoas locais que mais absorve o conhecimento, que, posteriormente, o auxilia na criatividade. Assim sendo, e tomando o contacto humano como ferramenta de inspiração, os projetos assinados pelo atelier enquadram-se numa metodologia de trabalho “envolvente e experimental” com o cliente no processo criativo, tendo como foco principal o consumidor final.
Como o primeiro trabalho poucas vezes ou raramente se esquece, o fundador destaca o projeto realizado em 2005 para a Quinta de Baixo da Bairrada, que, além de ser o primeiro, ainda hoje é aquele que lhe parece “o mais bonito”. “Na realização de qualquer projeto, quando se tenta idealizar algo ‘fora da caixa’, inicia-se um processo ‘moroso’ (ou trabalho de parto, como costumo chamar-lhe)”, partilha.
Se o primeiro trabalho não se esquece, o mais desafiante também não. Menciona o projeto da “Herdade Grande”, em que o desafio era encontrar uma forma simples de prender e enrolar um cordel numa garrafa, sem usar qualquer tipo de cola. Salienta, ainda, o “Expressões”, de Anselmo Mendes, trabalho em que foi necessário expressar formas orgânicas de carácter visual com o elemento terra.
A verdade, nas palavras de Filipe Moço, é que os criativos precisam de observar, socializar e absorver do exterior muito do que lhes traz a sua criatividade. E, por isso, conta que, durante a pandemia, houve uma maior necessidade de debate, de crítica e de entreajuda com parceiros criativos, para um “maior e melhor desenvolvimento dos projetos”.
Para o futuro, as metas são claras. “Continuar a promover e a trabalhar com excelência” é o principal foco da Moço Wine Branding e, nesse seguimento, o desafio é encarar qualquer projeto como se fosse o primeiro e colocar-lhe “alma, garra e empenho”. Ora, se um alfaiate, como diz o criativo, é conhecido por realizar peças únicas e à medida de cada exigência, também o seu trabalho passa por individualizar cada vinho através da sua imagem, tornando-o numa peça única.
Catarina Farinha


