Para o criativo, os prémios não são prioritários para os anunciantes portugueses, o que, de certa forma, contraria a tendência para a presença de marcas em Cannes: na edição de 2015, 30% das presenças eram clientes, não agências.
Luís Silva Dias acabou por ver a sua opinião corroborada por Leonor Dias, a diretora de Marca da Vodafone. “Valorizo muito mais os resultados do que prémios. Os prémios são motivacionais, nice to have, mas os resultados são must have. E, se tiver de escolher, perde-se um pouco a beleza da criatividade mas faço o sacrifício em prol dos resultados.
Para o criativo da FCB, Cannes não é só um espalho para avaliar o ego das agências, é útil: “Aprende-se imenso e as marca-se pontos enquanto marcas porque, se ganharmos prémios, as melhores pessoas do mercado vão querer trabalhar connosco. E este é o grande lucro de Cannes”. A marketeer da Vodafone admitiu que gostaria de ter os melhores talentos, mas reafirmou que, no curto prazo, tem de pensar nos resultados.
Intervindo no diálogo, Susana Carvalho, CEO da JWT, reconheceu que é “dificílimo” ganhar mais Leões em Cannes, embora advogue que a criatividade portuguesa devia ser mais premiada. “Durante anos, disse às minhas equipas que, com tantos clientes e tantas campanhas, devíamos ter três ideias extraordinárias por ano. Perguntava-lhes se seria assim tão difícil. É, claro que é”.
Joah Santos, fundador da Nylon e com experiência internacional, partilhou outra visão, a de que a conquista ou ausência de prémios tem a ver com o modo como as campanhas são avaliadas e com o investimento que as agências colocam no desenvolvimento do briefing: “Lá fora, nos muitos sítios onde trabalhei, a questão sempre foi se a campanha vai aumentar a preferência pela marca ou não, se vai gerar vendas ou não. É isso que é medido, se é relevante para o cliente, ponto final. Se é super criativo ou não, isso vem depois”.
Neste primeiro Getty Breakfast with Briefing outras ideias sobre a criatividade made in Portugal se cruzaram.
Para ler na próxima edição do Briefing.

