IKEA relança “Igualmente” e volta a dar voz às conversas necessárias

O “Igualmente”, podcast da IKEA Portugal que aborda a diversidade, igualdade e inclusão, está de volta para uma sexta temporada, com novos convidados. Para perceber o que muda e como este se afirma como espaço de conversa e reflexão, a Briefing falou com a comunicadora e host do podcast, Ana Markl; a Country Communication Manager da IKEA Portugal, Cláudia Domingues; e dois dos convidados desta edição, a gamer Vanessa Ferreira Dias e o cientista Samuel Tulumello.

IKEA relança “Igualmente” e volta a dar voz às conversas necessárias

Nesta nova temporada, o “Igualmente” fala sobre liderar com empatia num mundo em constante mudança, onde os influenciadores digitais têm ganhado cada vez mais responsabilidade. E, como defende a IKEA, os temas não estão resolvidos, traz de novo à conversa conceitos básicos como o racismo, a deficiência e a igualdade de género.

Em declarações à Briefing, a Country Communication Manager da IKEA Portugal, Cláudia Domingues, sublinha que o podcast não nasce de um impulso pontual, mas de um trabalho continuado. “Este podcast nasceu há seis temporadas atrás, para discutir, conhecer e, muitas vezes, desconstruir conceitos e preconceitos em torno de temas de diversidade e inclusão”, explica, acrescentando que um dos grandes objetivos tem sido dar voz aos colaboradores, às suas vivências e às suas histórias.

Para lá do impacto reputacional, a responsável aponta métricas concretas. A IKEA analisa dados quantitativos – audições, visualizações, comentários e reações –, mas também qualitativos, episódio a episódio e plataforma a plataforma. Ainda assim, há um indicador que pesa de forma particular: o retorno interno. “O orgulho e o entusiasmo que os colaboradores IKEA manifestam, não só pelos colegas que participam em cada um dos episódios, mas pelo facto de a empresa onde trabalham se mobilizar por este tipo de temas e por ter um papel ativo na sociedade” é, para Cláudia Domingues, um sinal claro de relevância e coerência.

Essa coerência é, aliás, uma das formas de a marca evitar cair num discurso genérico num contexto em que muitas empresas querem ter uma “voz social”. Para a Country Communication Manager, a chave está na “autenticidade e consistência”, sustentadas por um percurso de mais de 20 anos em Portugal e por ações concretas em áreas como a igualdade de género, a sustentabilidade ou o combate à violência doméstica. “Ao longo de todo o ano, e não apenas em datas comemorativas”, frisa, a IKEA procura garantir que estas causas atravessam toda a organização.

Do lado do microfone, Ana Markl assume que o tom do “Igualmente” se constrói precisamente nessa prioridade dada à conversa, e não à marca. “A IKEA mantém a missão acima da promoção”, afirma, explicando que qualquer referência à marca surge de forma orgânica. A espontaneidade, diz, nasce da curiosidade genuína pelos temas e pelas pessoas. “Tudo se torna natural quando assim é.”

Apesar da diversidade de assuntos e convidados, a comunicadora acredita que há uma identidade clara que atravessa a temporada. Esta passa pela escolha de temas atuais e relevantes, pela curadoria das vozes convidadas e também pelo seu próprio registo enquanto moderadora. Ana Markl define a dinâmica que procura criar como “responsável, mas leve, acutilante, mas empática”, defendendo que cada episódio deve ser um momento único de escuta e reflexão.

Entre essas vozes, está a gamer Vanessa Ferreira Dias, convidada para falar sobre “As mulheres e o gaming”. Para si, apesar do crescimento da indústria, “as barreiras permanecem, ainda, na desigualdade de género”. A convidada aponta a necessidade de criar espaços seguros e de garantir representatividade em toda a cadeia, da formação às comunidades, das empresas às personagens dos videojogos. “Ter mulheres com lugar e voz na indústria, da formação à produção de videojogos, nas faculdades e empresas, das comunidades aos eventos de gaming, é imperativo para quebrar aquela que é a grande barreira, a da desigualdade de género”, defende.

Quando o tema é a relação entre marcas e gaming, Vanessa Ferreira Dias volta a insistir na autenticidade. Para ser relevante, uma marca tem de compreender o ecossistema e respeitar a comunidade. Só assim, diz, consegue tornar-se “o melhor player 2 que um jogador pode ter”, participando de forma ativa e informada nas experiências dos jogadores.

Já no episódio “Casa para (quase) todos”, o cientista Samuel Tulumello vai trazer a discussão para o território da habitação e do planeamento urbano. Pensar a casa como serviço, explica, implica reconhecê-la como um direito que articula produto e contexto. “Não há direito sem a articulação de produto e serviço”, afirma, defendendo que o acesso universal à habitação e ao seu habitat deve estar no centro das políticas públicas.

Sobre o papel de empresas com impacto no espaço doméstico, como a IKEA, Samuel Tulumello enquadra a discussão num conflito estrutural. Reconhecendo as tensões entre direito à habitação e lucro, alerta para os efeitos da financeirização do setor e para a urgência de separar “a finança de todos os setores da vida e do espaço dos direitos”. Uma reflexão que, tal como as restantes vozes do “Igualmente”, reforça a ambição do podcast: abrir espaço para conversas difíceis, plurais e necessárias, num formato que privilegia a escuta e a empatia.

O podcast está disponível no site da IKEA, no YouTube, no Spotify e na Apple Podcasts.

Carolina Neves

Quinta-feira, 15 Janeiro 2026 10:05


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