Inês Gutierrez tem Influência nas redes – e não só

É atriz, apresentadora e influenciadora digital, uma combinação que lhe confere grandes skills de comunicação.

Inês Gutierrez tem Influência nas redes – e não só

Qual foi a colaboração mais marcante até agora? E qual falta?

É difícil escolher, porque cada colaboração tem o seu significado. Mas as mais significativas são sempre as que têm de ver com os meus próprios projetos, e são pensadas e criadas por mim, como uma coleção que lancei da minha marca de roupa, Gutierrez Collection. Juntámo-nos à CERCISA – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados do Seixal e Almada para criar ilustrações que tornaram as nossas camisolas peças únicas, e 10 % do valor de venda reverteu a favor da associação. Aqueles sorrisos – e o dia em que fui ter com eles para fazermos os desenhos que iam estar nas peças de roupa – vão ficar para sempre guardados no meu coração.

Quanto ao que falta, acho que ainda há tanto por explorar… Gostava muito de trabalhar mais marcas internacionais.

Alguma vez recusou uma parceria por não se alinhar com os seus valores? Porquê?

Sim, várias vezes. Acho essencial manter a coerência e não promover algo em que não acredito. Já recusei colaborações com marcas cujos produtos não usaria ou que não tinham uma mensagem com a qual me identificasse. A confiança das pessoas que me seguem é muito importante para mim, e prefiro ser seletiva do que aceitar algo só pelo dinheiro.

Qual considera ser a maior responsabilidade de um influenciador digital?

A responsabilidade é muito grande e não pode ser subestimada nem encarada com demasiada leveza, porque estamos constantemente a passar mensagens, seja de forma consciente ou inconsciente. Gosto de ser genuína e transparente – quem me segue sabe isso –, mas as redes sociais mostram apenas um recorte da realidade, e acho que é importante lembrar isso às pessoas. Além disso, tento sempre usar a minha plataforma para acrescentar valor, seja através de temas importantes ou simplesmente partilhando momentos que possam inspirar ou fazer alguém sorrir.

Já sentiu necessidade de “desligar” das redes sociais? Como o fez?

Claro que sim, várias vezes. Há momentos em que estou mais online e outros em que estou menos… É preciso ir gerindo esse equilíbrio, porque é um meio intenso, exigente e veloz, que acaba por nos consumir muito, por isso, temos de estar alertas.

Gosto de definir horários para mexer no telefone e momentos. Às vezes, estou a partilhar coisas que já acontecerem há umas horas, mas decido partilhar mais tarde porque quero estar a viver a vida real, o presente. Também já fiz retiros ou férias em que não tocava no telemóvel, é raro por causa dos contratos e timings, mas há momentos da minha vida em que sinto que tenho de o fazer para que isto continue a ser bom para todos.

De que modo ser atriz e apresentadora é uma mais-valia na criação de conteúdos?

Como apresentadora, aprendi a falar para as câmaras; a ter espontaneidade e à vontade; a improvisar; e a criar empatia. No fundo, a captar a atenção das pessoas, de uma forma natural, e a ganhar muitos skills de comunicação, mas depois tens de as adaptar ao público do digital, que não é o mesmo da televisão.

Já a representação, apesar de ter estado parada algum tempo, também faz parte da minha base de formação. Como atriz, aprendi a contar histórias e a interpretá-las de diferentes perspetivas – isso também ajuda muito nas redes sociais.

O que faz para manter a criatividade e inovar nos conteúdos?

O “viver” da minha vida. Observo muito, coleciono histórias, ganho ferramentas, inspiro-me também nas pessoas, nas conversas, nas viagens, na arte, na música, no teatro. Gosto de testar formatos novos, experimentar ideias diferentes, seguir as tendências com as quais me identifico e, acima de tudo, manter-me fiel àquilo que sou. Acho que quando fazemos as coisas com paixão e autenticidade, a criatividade surge naturalmente.

O que a motivou a começar a sua jornada como influenciadora digital?

As redes sociais eram uma extensão do meu trabalho em televisão. Começou de uma maneira muito natural porque eu acabava por partilhar muito do meu dia a dia: as gravações dos programas e os bastidores da televisão, sítios que gostava de ir, onde ia comer, o que gostava de vestir, as minhas viagens…

Quando me apercebi que houve interesse e um crescimento, comecei a descobrir melhor o meio dos conteúdos digitais, a explorá-lo, a aprendê-lo, a fazer conteúdos pensados e criados por mim – sempre tive esta faceta de produzir as minhas coisas e a internet dá esse poder e essa possibilidade. Também percebi que podia utilizar o Instagram como uma ferramenta forte de trabalho, de comunicação, de partilha de ideias – às vezes, noutros meios, não tens espaço para o fazer –, de conversa sobre temas pertinentes e para inspirar de forma positiva.

Post ou story?

Os dois, é conforme a mensagem que quero passar. A story é uma coisa mais instantânea, do momento, talvez mais real. O post, por ser permanente, acaba por ser mais pensado e planeado.

Sexta-feira, 30 Maio 2025 07:53


PUB