Numa sociedade cada vez mais exigente e acelerada, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal parece um verdadeiro ato de malabarismo à lá Circo du Soleil. Especialmente para mulheres que ocupam cargos de liderança, que se veem obrigadas a equilibrar várias esferas da sua vida ao mesmo tempo. O time-to-market no marketing é fundamental, por isso, exige-se rapidez. É aí que vestimos a nossa melhor fatiota e partimos a uma velocidade supersónica, conquistando galáxias cheias de clientes exigentes, dominando culturas de pensamento, explorando novas tecnologias e inteligências sobre-humanas, sempre com humor e emoção, porque a missão assim o exige. Isto apenas na esfera do trabalho.
Depois vem a família, no meu caso são três filhos pequenos, um marido e algumas plantas. Ainda não complicámos com animais de estimação. E ainda temos os desafios do envelhecimento gracioso e de beleza feminina, que nos dão a convicção de invencibilidade. Mantermos as amizades vivas e um lado social interessante para não nos condenarmos a uma vida de clausura. O desporto e os hobbies que queremos fazer ficam sempre para o fim. Ah! E ler todos os dias. Aprender algo novo, sim, todos os dias. Meditar. As rotinas todas que vamos acrescentando para sermos cada vez melhores e que servem para nos devolverem um equilíbrio que tende a ser roubado pela vida em geral, mas que podem ser sufocantes na pressão de perfeição que colocam.
E é assim… vamos criando um equilíbrio exemplar, até que caem as bolas. Até que falha o gás propulsor. E é neste momento crítico que a noção de equilíbrio é fundamental. Essa centralidade vai permitir ter perspetiva e priorizar o que é de facto importante, simplificar as missões, decidir de forma rápida, não entrar em stress, focar em soluções e não no problema, gerir a energia e descansar quando é preciso, e manter a leveza mesmo quando a situação parece ser complicada.
Para conseguir este equilíbrio há dois pilares fundamentais. Um deles é inteiramente da nossa responsabilidade, o outro menos. Os estímulos e o stress existem por todo o lado, temos de ser nós a definir as fronteiras, em que medida deixaremos entrar mais bolas na roda e como nos vamos deixar afetar pelas mesmas. É verdade que a idade e a experiência ajudam nesta clarividência, mas tem de ser um foco pessoal em manter um equilíbrio interno.
O outro pilar são os sistemas de suporte. Não estamos sozinhas em palco! Estamos cercadas por uma grande equipa, sendo uma grande parte mulheres, que lideram, criam e inovam em conjunto. É através do trabalho de equipa que o verdadeiro equilíbrio é alcançado. Não tenho dúvidas que nada do que faço seria possível sem as pessoas que me rodeiam. A liderança da empresa e a política de recursos humanos também é fundamental para criar um clima de confiança, regimes de flexibilidade e apoio à família e a FNAC faz isso de forma exímia.
Há outros sistemas de apoio que recomendo para uma vida feliz e equilibrada, como a família, os avós, os tios, os amigos e, se possível, um ombro amigo que no final do dia nos abrace e reconheça todos os malabarismos e superações, aceitem as ausências e atrasos, agarrem as pontas e sejam um pilar, tal como nós.
Somos mulherónicas e femilabaristas! Mas neste Dia Internacional da Mulher, que sejamos todas mulheres sem bolas para equilibrar, sem maquilhagem, sem fatiotas, sem pressão. Somos tão fortes de uma maneira como doutra e é só disso que temos de nos lembrar todos os dias.”
Inês Condeço, diretora de marketing e comunicação da FNAC Portugal

