Que podcast estou a ouvir?
Tenho ouvido, sobretudo, “Uncensored CMO”, de Jon Evans, “How We Got Here”, de Chris Kohler, e “A História do Dia”, do Observador. Gosto de podcasts que me ajudem a olhar para marcas, culturas e decisões a partir de ângulos diferentes. O “Uncensored CMO” traz conversas muito diretas sobre marketing, liderança e comunicação. O “How We Got Here” interessa-me pela forma como olha para a origem, o crescimento e, muitas vezes, a queda de empresas e movimentos. “A História do Dia” ajuda-me a manter uma leitura rápida do que está a marcar a atualidade. Depois, há o indispensável lado menos “profissional”: Joana Marques e Ricardo Araújo Pereira. Porque também é preciso ouvir inteligência com sentido de humor, nem que seja para compensar a quantidade de discursos corporativos que ainda sobrevivem no mundo.
Um livro que estou a ler
Estou a ler “Seven Tenths of a Second”, de Zak Brown. A Fórmula 1 interessa-me muito para além do espetáculo. É um território onde estratégia, pressão, talento, cultura de equipa e execução convivem no mesmo segundo. O que me atrai neste livro é essa ideia de que, em contextos altamente competitivos, nenhuma decisão é realmente pequena. Um detalhe, uma leitura errada ou um erro de timing podem mudar tudo. E isso tem muito a ver com o meu trabalho. As marcas também vivem de decisões: umas visíveis, outras quase impercetíveis, mas todas com impacto na forma como são percebidas, escolhidas e lembradas.
Uma música que não me sai do ouvido
Nos últimos tempos, tenho ouvido cada vez mais música clássica e “The Blue Danube”, de Johann Strauss II, tem sido a peça que mais me fica na cabeça. O que me fascina na música clássica é a quantidade de camadas. Posso ouvir a mesma peça muitas vezes e descobrir sempre um detalhe novo: uma entrada, uma mudança de ritmo, uma tensão ou uma escolha inesperada. Nesta peça em particular, há uma combinação entre leveza, precisão e construção que me inspira bastante. Parece simples, mas não é. E talvez seja isso que mais me cativa, quando algo complexo consegue parecer natural.
O que ando a ver?
Tenho visto “For All Mankind”, na Apple TV+. A série parte de uma premissa simples e brilhante: e se a corrida à Lua tivesse tido outro desfecho? Em vez de serem os Estados Unidos da América a chegar primeiro, é a União Soviética que vence esse momento simbólico. A partir daí, a história que conhecemos começa a desviar-se e cada consequência abre novas possibilidades políticas, sociais e humanas. Interessam-me muito este tipo de exercícios: olhar para a realidade a partir do “e se?”. As ucronias obrigam-nos a questionar o que damos por garantido e a perceber como pequenas alterações podem mudar sistemas inteiros. Para quem trabalha com estratégia, marcas e criatividade, esse treino de imaginação é muito útil.

