“Está a ser brutal. Vou colocando as mãos nos ouvidos para ouvir melhor certas indicações que os óculos estão a dar, como sobre as luzes do palco, por exemplo”. É assim que Francisco descreve, em pleno concerto dos Foo Fighters, a experiência proporcionada pela app e os óculos da Meta. “Nirvana é que já não vamos conseguir ver, nem com a ‘Guia-NOS’”, brinca. Ao seu lado, Aliu resume o momento em poucas palavras: “Está a ser incrível”.
Durante cerca de duas horas e meia, a Briefing acompanhou-os na régie do NOS Alive, onde seguiram o espetáculo através de inteligência artificial, recebendo descrições em tempo real do palco, dos efeitos de luz, da movimentação dos músicos e do ambiente envolvente.
A aplicação “Guia-NOS” já tinha sido testada no festival, em 2025, mas a novidade desta edição está na integração com os óculos inteligentes Ray-Ban Meta. Em vez de apontar constantemente a câmara do telemóvel, o utilizador passa a recorrer às câmaras dos óculos, libertando uma mão – uma diferença relevante para quem utiliza bengala ou cão-guia.
“Aí é que está o salto transformador”, explica à Briefing a diretora de Comunicação Corporativa da NOS, Margarida Nápoles. “Com os óculos torna-se muito mais simples, muito mais natural. Damos às pessoas condições para serem mais independentes”.
Desenvolvida pela NOS Inovação e disponibilizada gratuitamente pela NOS Comunicações, a aplicação utiliza inteligência artificial para transformar imagens em descrições áudio, identificando pessoas, objetos, textos, cores e espaços em tempo real. Está disponível para Android e iOS, e, durante o NOS Alive, qualquer pessoa cega podia requisitar gratuitamente um par de óculos Meta para experimentar a tecnologia no recinto.
Para Margarida Nápoles, o lançamento gratuito nunca esteve em causa. “A inclusão, a acessibilidade e a democratização têm de andar de mãos dadas. O próximo passo tinha de ser pôr isto nas mãos das pessoas”, diz. A responsável sublinha ainda que a evolução da aplicação resulta diretamente do trabalho desenvolvido com a comunidade cega ao longo do último ano. “Aprendeu-se muito. Trabalhar de perto com quem vai usar a aplicação é extremamente gratificante”, acrescenta.
Francisco faz parte desse percurso. “Ao longo do último ano, tenho vindo a participar em todas as atualizações. Tem sido uma evolução enorme”. O objetivo, diz, deixou rapidamente de ser apenas melhorar a experiência num festival. “Começámos a desafiar a própria NOS a transformar a aplicação também para o nosso dia a dia. E foi isso que foi feito”, conta.
Essa evolução traduz-se hoje numa experiência muito mais completa. “A descrição é muito mais detalhada e aumenta a nossa autonomia, independência e liberdade. Permite-nos ter uma experiência muito mais normalizada de um dia de festival”.
Aliu confirma-o enquanto percorre o recinto. A aplicação identifica zonas de restauração, reconhece palcos, descreve o ambiente e permite-lhe explorar o espaço ao seu ritmo. “Estou a andar com amigos, mas ao mesmo tempo uso os óculos e pergunto o que tenho à volta. Não preciso de estar sempre a perguntar à pessoa com quem estou. Isso dá-me autonomia para explorar à minha maneira”, explica.
Mais do que uma demonstração tecnológica, o que aconteceu durante o concerto dos Foo Fighters mostrou como a inteligência artificial pode desaparecer para dar lugar à experiência. Os três utilizadores viveram o festival de forma mais autónoma e mais participativa.
Carolina Neves

