O VidYou reuniu dezenas de youtubers de todo o país e alguns bloggers, como Vanessa Martins, do blog “Frederica”. O fim de semana foi marcado por diversas atividades de entretenimento, espetáculos, ativações de marca, conferências, painéis de discussão e alguns Meet&Greets, dando oportunidade aos fãs de conhecerem e contactarem com os seus youtubers de eleição. A grande novidade deste ano foi um dia dedicado à indústria e ao networking, o que fez desta “uma edição especial”, na opinião de Marco Neiva, da organização.
O “industry day” decorreu na sexta-feira, dia 25 de agosto, com quatro sessões de debate. Inês Pestana Lopes, da SmartInfluence Agency, os youtubers Sofia Barbosa (SofiaBBeauty) e Bruno Salgueiro (Dicas do Salgueiro) e o humorista Miguel Lambertini juntaram-se para tentar perceber se os influenciadores estão ou não preparados para assumir a responsabilidade das suas ações, se a responsabilidade social molda os conteúdos e se limita a criatividade. Todos concordaram que há cuidados a ter, por exemplo quanto à linguagem, mas que o mais importante é identificarem-se com a marca ou com a ação.
Bruno Salgueiro refere que “cada vez mais se sente a responsabilidade”, mas reconhece que “vai sempre ser difícil agradar a todos” e que, por isso, é importante ter algum cuidado nos conteúdos e mostrar que estão só a partilhar a sua opinião. O mesmo considera Sofia Barbosa: “a melhor forma de influenciar não é dizer que está certo ou não, é partilhar a nossa experiência real, para que as pessoas se possam identificar”.
Inês Pestana Lopes, do lado das agências, diz que “não deve haver limitações quanto à criatividade”, mas que “há regras a seguir, porque há uma marca por trás”. Para já – diz – “existem algumas marcas portuguesas a pedir embaixadores para ações de responsabilidade social, mas poucas”, seja por uma questão de budget ou por falta de identificação entre ação/influenciador.
O segundo painel, constituído por Frederico Carvalho, da ClickSummit, Jorge Francisco, da Carat Portugal, Ana Marques, da agência Milenar, e pelo blogger Pedro Bastos (The Car Lounge), debruçou-se sobre o investimento em marketing de influência e o seu retorno. Hoje, é possível medir tudo, desde os seguidores, aos likes, às partilhas, e perceber qual será o retorno, mas, no final, “a forma mais fácil de perceber [se o investimento valeu a pena] é ver se o dinheiro entrou ou não”, salienta Frederico Carvalho.
Ana Marques reconhece que este tipo de marketing “é muito arriscado para as marcas”: “As marcas têm medo, porque deixaram de controlar os conteúdos. Mas se querem estar no meio, têm de confiar”, disse, acrescentando que “o retorno é maior se as marcas usarem estes canais para criarem a sua própria audiência”, porque o investimento é menor. Contudo, as marcas ainda estão reticente: “Estamos à espera que as marcas deem esse salto”.
A questão do investimento em conteúdos foi referida ainda no terceiro debate, onde Deolinda Sousa, responsável de Media e Digital da Vodafone, reforçou que “ter conteúdos próprios tem custos muito elevados para as marcas” e que, por isso, o marketing de influências é uma mais-valia nesse sentido.
Falava-se de storytelling e das estratégias para envolver a audiência, numa sessão de contou ainda com Sérgio Felizardo (VICE Portugal), Miguel Luz (youtuber e músico), João Cortinhas (Swonkie) e João Pico (Web Video Marketing Portugal/Comprimido). “O conteúdo é rei” – concordaram todos – mas há que saber ajustar o conteúdo à plataforma onde comunicam, à marca com que trabalham e ao produto. Além disso, “há que saber como chegar às pessoas”, afirmou João Cortinhas.
“Ser brand-friendly: identidade da marca vs personalidade vs criatividade” foi o tema escolhido para encerrar o dia, tocando um pouco nos vários aspetos discutidos ao longo da tarde. A importância do conteúdo ser de qualidade e ajustado à marca e ao público, a importância de escolher influenciadores que se identifiquem com as marcas ou produtos – e aí entram as agências como mediadoras, a filtrar quem, de facto, é a imagem certa – e os “truques criativos” para ajustar a linguagem dos criadores à identidade da marca. Num painel moderado por Dário Guerreiro , mais conhecido como o Môce Dum Cabréste, estiveram à conversa João Ribeiro (Shifter), Inês Ferreira (Cigala), Inês Guimarães (MathGurl) e Pau Storch (agência SoWeAre).


