O que podem os beacons fazer pelas marcas? Frank Verschoor responde

Fortalecer a relação com o consumidor ao invés de encontrar e “caçar” as pessoas pelo caminho. É esta a filosofia da inBeacon, empresa de marketing de proximidade e de software para beacons de origem holandesa que chega agora a Portugal. Mas o que são exatamente beacons? “Muitas pessoas, quando pensam em beacons, pensam no envio de notificações para o smartphone. Nós dizemos que sim, que esse é um dos instrumentos, mas deve ser reduzido ao mínimo”, responde o CEO da tecnológica, Frank Verschoor, em entrevista à Briefing.

O beacon é a infraestrutura física, o emissor de sinais que são recebidos pelo smartphone através de ligações Bluetooth ou WiFi. E a inBeacon fornece o software que faz com que essa mesma infraestrutura funcione. Para tal vende licenças, sob a forma de subscrições mensais, através das quais os clientes têm acesso à plataforma cloud e aos instrumentos de que necessitam para interagir com os respetivos públicos-alvo através de apps. Além disso, o envio de notificações é controlado, dado que se trata de uma tecnologia opt-in. Quer isto dizer que as mensagens de marketing ou de caráter comercial só são enviadas para aqueles que expressem, prévia e explicitamente, o seu consentimento quando instalam as aplicações em causa. E o empresário acrescenta que o trabalho de envio de mensagens é da total responsabilidade dos gestores de conteúdos das apps. “Aconselhamos a que não enviem mais do que três mensagens ao consumidor. Podem optar também por enviar a mesma mensagem apenas uma vez. Há vários tipos de instrumentos para garantir isso. Se é cliente frequente de um determinado espaço e cada vez que lá entra recebe uma mensagem de boas-vindas, não irá, decerto, gostar”, assegura.

Com o intuito de exemplificar o modo como o software da inBeacon pode ser uma boa ferramenta de marketing, Frank Verschoor alude ao case de uma marca de refrigerantes, aquando do lançamento de uma gama de bebidas energéticas no mercado holandês. “Foram entregues amostras a consumidores em estações de comboios. Até aí, as marcas nunca viam ou sabiam o que era feito com essas amostras. Então estabelecemos uma parceria com uma das maiores app de jornais. Ao registarem-se, se estivessem próximos dessa equipa de promotores e levassem uma lata, da vez seguinte que abrissem a app do jornal, veriam um anúncio daquela bebida energética. Ao clicar no anúncio obteriam um cupão que seria diretamente guardado na Google Wallet e, quando passassem por aquela estação de comboios, poderiam dirigir-se a um quiosque e utilizar o desconto na compra de outra bebida energética”, descreve, referindo que as taxas de conversão foram bastante positivas: 48% das pessoas viram o suporte e dirigiram-se ao quiosque no espaço de uma semana. Além destas campanhas, o software da inBeacon também permite utilizar o geofencing, isto é, recorrer ao GPS ou à identificação de radiofrequência (RFID) para definir barreiras geográficas virtuais, garantindo, assim, que os beacons tenham um raio de atuação limitado.

Ainda em fase de introdução em Portugal, Frank Verschoor prefere não revelar as parcerias que começam já a ser firmadas entre a inBeacon e as marcas portuguesas. Responde apenas que se trata de negócios no âmbito do retalho alimentar e não alimentar, da distribuição e dos media. “Eu tenho um historial de criação de empresas e aprendi cedo que o primeiro passo deve ser dado no país de origem. E se optarmos por sair do nosso mercado, o melhor é optar por um mercado que não seja muito grande. E é isso que me agrada em Portugal”, justifica.

Até ao final do ano, serão instalados aproximadamente 10 mil beacons e 100 hotspots em mupis de paragens de autocarros em território nacional. A inBeacon pretende igualmente perceber como é que o país e os portugueses podem retirar vantagens do uso desta tecnologia. “Tivemos a sorte de ter sido bem-recebidos por agência de meios e agências digitais que são os olhos e ouvidos dos consumidores e fazem a curadoria da oferta digital. Elas estão em constante contacto com os consumidores, realizam inquéritos, pedem informações, que, mais cedo ou mais tarde, irão materializar-se em projetos-piloto e crescer até se tornarem projetos em larga escala”, partilha. As expetativas, essas, são muito elevadas. Porque, acredita, desde que as pessoas retirem benefícios estão abertas a este tipo de tecnologia e aproximação. Do lado das marcas, verifica-se que procuram dar tratamento VIP aos consumidores registados nas apps, tanto nas lojas como em eventos por si organizados e/ou patrocinados. Por isso, podem usar o software da inBeacon para que a app funcione como bilhete de entrada. A pessoa responsável pela gestão e receção pode ter um tablet e ver que um determinado cliente acabou de entrar, se tem o estatuto de VIP e se pode oferecer um tratamento especial, por exemplo. Tudo isto é gerido pelas empresas que usufruem do software da tecnológica holandesa. No âmbito publicitário, a inBeacon aborda criadores de apps e agências digitais com o argumento de que possui um instrumento que permite oferecer mais campanhas aos consumidores, bem como a apps de jornais, para lhes proporcionar um outro modelo de receitas.

Depois de Portugal, os próximos mercados em vista são o Reino Unido e a Alemanha. Os Estados Unidos não estão, por agora, na mira: “Como trouxemos a tecnologia dos Estados Unidos não queremos exportar para lá nos próximos 12 a 18 meses. Estamos mais focados nos mercados europeus”, justifica o CEO. Porém, para concretizar a expansão, a tecnológica precisa de investimento extra já que a maior parte do capital é próprio. “Se queremos acelerar na internacionalização precisamos de mais capital. Também temos que desenvolver a nossa organização internamente e precisamos de financiamento para esse crescimento. Queremos tornar-nos o líder europeu da tecnologia beacon”, conclui Frank Verschoor.

Este artigo pode ser lido na íntegra na edição impressa da Briefing.

briefing@briefing.pt

 

Quinta-feira, 29 Dezembro 2016 13:00


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