Há desafios improváveis, mas não existem cafés impossíveis

Neste Dia Internacional do Café, que se comemora hoje, 1 de outubro, o CEO do Grupo Nabeiro-Delta Cafés, Rui Miguel Nabeiro, celebra esta bebida. Na 1.ª Pessoa, aborda a sua identidade cultural e explica o projeto “Impossible Coffee”.

Há desafios improváveis, mas não existem cafés impossíveis

O café, uma das bebidas mais consumidas no mundo, faz parte da rotina de milhões de pessoas e vai muito além do seu sabor e aroma. Mais do que uma bebida, o café faz parte da identidade cultural de diversos países e comunidades, atravessa gerações, fronteiras, influencia hábitos e cria momentos sociais centrados no seu consumo.

O impacto global do café é inquestionável, mas a sua produção enfrenta desafios como as alterações climáticas e a justiça social, especialmente para os pequenos produtores. Proteger e valorizar a cadeia produtiva do café é essencial não apenas para a economia, mas também para preservar uma parte importante da cultura mundial. Para garantir a continuidade da produção, é necessário adotar práticas sustentáveis que promovam a qualidade e respeitem o meio ambiente e as comunidades locais, contribuindo para o desenvolvimento das comunidades produtoras e a preservação dos ecossistemas de origem.

O conceito de um café sustentável não é apenas sobre a proteção do ambiente, mas também sobre a criação de valor em cada etapa do processo. Mas o impacto do café não se limita à produção. A forma como nos relacionamos com a bebida também está a mudar. Consumir café, hoje, pode ser um ato de reflexão e de ligação a uma causa. Ao escolhermos um café produzido de forma consciente, estamos a contribuir para um futuro melhor e para o desenvolvimento económico e social. Estamos, também, a apoiar pequenos produtores e a fomentar a cultura do café.

O projeto “Impossible Coffees”, da Delta The Coffee House Experience, exemplifica essa visão ao desafiar a ideia de impossibilidade, provando que não existem cafés impossíveis. Este projeto reforça o apoio aos pequenos produtores e promove a produção de cafés raros em regiões onde o cultivo de café era considerado improvável em maior escala, ou onde essa tradição se perdeu. Agora, esperamos contribuir para a sua revitalização, criando uma cadeia de valor que respeita tanto o produtor quanto o meio ambiente. Os “Impossible Coffees” não se limitam a superar desafios de cultivo, mas também procuram criar valor em cada etapa da produção, gerando impacto positivo e incentivando o desenvolvimento das comunidades produtoras.

Depois do primeiro café produzido nos Açores, lançámos uma edição com origem em São Tomé e Príncipe, na histórica Roça Monte Café, gerida pelo produtor Amedy Pereira, mais conhecido como Catoninho. Este café de São Tomé destaca-se não apenas pela sua qualidade, mas também pelo impacto positivo que gera na comunidade local. Este café é fruto de uma longa colaboração, durante a qual o produtor Catoninho participou em formações técnicas e aperfeiçoou práticas, de forma a melhorar a qualidade da sua produção. Através de parcerias com organizações como a MOVE ONG, a Delta apoia diretamente os produtores de São Tomé, oferecendo formação e apoio técnico, fortalecendo a produtividade e a sustentabilidade local. Da mesma forma, o protocolo assinado com a Associação de Produtores Açorianos de Café (APAC) e o Governo Regional dos Açores visa a experimentação de novas variedades de café no arquipélago, promovendo o desenvolvimento futuro do café nos Açores, acelerando sua produtividade, qualidade e viabilidade económica.

A procura por cafés de edição limitada, de origem exclusiva, cultivados em territórios específicos e com métodos de produção únicos são um reflexo da nova abordagem ao café e de novas tendências de consumo. Estes destacam-se não apenas pelo seu sabor ou origem, mas também pelo impacto positivo que geram nas regiões onde são cultivados. A inovação e o cuidado na produção resultam, assim, numa bebida de elevada qualidade.

Além de oferecer uma experiência sensorial única, consumir um “Impossible Coffee” é uma forma de participação social. Ao escolher cafés produzidos de forma consciente, os consumidores contribuem para o desenvolvimento sustentável das regiões produtoras e para a preservação de ecossistemas essenciais. Iniciativas como estas promovem uma nova abordagem ao café, onde a qualidade do produto caminha lado a lado com o respeito ao produtor e ao meio ambiente.

Rui Miguel Nabeiro, CEO do Grupo Nabeiro-Delta Cafés

Terça-feira, 01 Outubro 2024 12:04


PUB