Vivemos hoje numa revolução digital. As novas tecnologias e, nomeadamente, a inteligência artificial, têm vindo a penetrar na nossa perceção do mundo e na maneira como nos apresentamos. O mesmo não é exceção para as marcas, que aumentam cada vez mais a sua presença online para mostrarem os seus valores e serviços de forma apelativa, disruptiva e singular. Hoje, com as expectativas dos consumidores cada vez mais elevadas, as empresas revelam servir-se continuamente de novas e inovadoras ferramentas, como é o caso da inteligência artificial, para que se consigam distinguir dos restantes players. Mas e se o ativo mais importante não estiver nas máquinas, mas sim nas pessoas?
É inegável que a inteligência artificial tem vindo a influenciar as estratégias das empresas, especialmente no que diz respeito ao marketing e comunicação. A IA está a mudar a forma como as organizações se apresentam e se relacionam com os seus consumidores. Agora, é já uma parte da sua identidade, assumindo vertentes com grandes impactos no seu posicionamento. Se numa primeira fase a tecnologia servia apenas como um auxílio pontual, hoje a inteligência artificial assume ramos como a segmentação do público-alvo – que permite personalizar mensagens e campanhas, atendendo às necessidades de cada grupo – ou a própria criação de conteúdo, como a produção escrita e o design. Torna-se uma espécie de ferramenta omnipresente, que permite agilizar e aperfeiçoar a comunicação das organizações, mas que revela ainda não conseguir preencher um requisito-chave: num mundo abundado de tecnologia e inovação, os consumidores procuram, cada vez mais, garantias de integridade humana nas marcas.
Por muito que se desenvolvam continuamente novas ferramentas, o sucesso das empresas depende da capacidade de se revelarem autênticas e verdadeiramente humanas. Aquelas que conseguirem mostrar que o seu valor está nas pessoas e que se conectem diretamente com os seus consumidores, saindo da sombra das máquinas e da tecnologia, serão, por isso, as mais bem-sucedidas. À medida que a revolução da IA se desenrola, a autenticidade humana torna-se, assim, a verdadeira vantagem competitiva definitiva no marketing. Por isso, é importante que as organizações priorizem as pessoas, valorizem o seu talento e privilegiem as relações.
Neste sentido, ainda que o futuro das marcas dependa também, naturalmente, de uma constante adaptação às novas inovações, as organizações – independentemente do setor – devem sempre lembrar-se que, apesar da automação, a âncora do seu futuro reside precisamente na humanidade. Temos que nos focar em estabelecer conexões autênticas, evidenciando que o núcleo de nossa identidade – e das marcas que defendemos – permanece intrinsecamente humano, mesmo com robôs a assistir.
Rui Guerra, cofundador e diretor criativo do Duall Studio

