É no número 85 da avenida mais cosmopolita do País que a Dior se dá a conhecer, num edifício construído em 1808 e com ligações à história portuguesa, já que foi ali que viveu Alfred Keil, o compositor do hino nacional. Esta presença do 8, como foi explicado num preview da loja, reveste-se de grande importância para a marca, dado que o seu fundador, Christian Dior, tinha nele um dos seus números da sorte.
Logo ao transpor a porta, encontram-se duas obras de arte de Joana Vasconcelos. Não é esta a primeira vez que a artista portuguesa colabora com a marca francesa, tendo estado presente no desfile outono-inverno 2023-24. A primeira obra é um painel de azulejos em que as cores pretendem ser uma homenagem a Lisboa – nomeadamente, com o amarelo do sol – mas também evocam um dos padrões recorrentes nas coleções, as flores.
Neste primeiro piso, há outro padrão dominante – o das borboletas, presente nos diversos visuais, nomeadamente nas montras, e nos produtos, particularmente nos acessórios em couro. Trata-se de uma inspiração da coleção Cruise, a partir de uma experiência da diretora criativa, Maria Chiuri, que, no México assistiu à chegada de uma espécie de borboletas que viajava desde o Canadá.
São três os pisos, com a particularidade de todos eles serem acompanhados da segunda peça de Joana Vasconcelos – uma valquíria, que como que invade toda a loja, ascendendo ao longo dos 20 metros da escada em caracol. Nesta ascensão, a paleta de cores vai mudando, ajustando-se às coleções expostas em cada piso – no segundo, a de mulher e no terceiro a de homem.
Pedro Calapez, Valéria Nascimento e Bruno Ollé são outros dos artistas representados na loja, partilhando o espaço com alguns dos códigos decorativos da marca, do parque de Versalhes aos grafismos do cannage.
É no segundo piso que se esconde a joia da coroa desta loja: um pequeno jardim, virado para a Praça da Alegria, vestido com as cores e os tecidos emblemáticos da coleção de cada da Dior. Os azuis dominam entre o verde natural deste recanto.
Depois de Lisboa, a Dior prepara-se para abrir uma loja em Genebra, no próximo ano.
Fátima de Sousa







