A opinião de… Filipe Manuel Pereira

O diretor-geral da CARMA CPLP aborda a importância dos insights estratégicos na comunicação.

A opinião de... Filipe Manuel Pereira

Consegue acompanhar todas as notícias que são publicadas, diariamente? Neste contexto cada vez mais intenso, com informação a chegar-nos por todas as vias, responder de forma afirmativa a esta pergunta é improvável.

E das notícias que acompanha, entende qual o valor da cobertura mediática – independentemente do conteúdo em questão – para o seu trabalho? Posso garantir que, muitas vezes, a informação mais irrisória (ou que assim parece) pode mudar o rumo do seu dia a dia, rapidamente.

Por norma, a avaliação em comunicação é uma área abordada apenas em momentos muito específicos, nas organizações. Por exemplo, apenas para justificar o orçamento do próximo ano, durante o lançamento de uma nova campanha, durante a gestão de uma crise ou apenas para monitorizar a concorrência. Porém, a avaliação esporádica deixa lacunas. Não permite entender the big picture, nem tomar decisões que possibilitem atingir objetivos organizacionais a curto, médio e longo prazo. Ora, isto significa que os insights estratégicos e a monitorização constante dos media andam de mãos dadas. A isto chama-se media intelligence.

A área de media intelligence tem vindo a substituir o “simples” clipping. Se, antes, o foco estava apenas em contabilizar as menções mediáticas e avaliar se estas eram “positivas” ou “negativas”, hoje, o cenário mudou. É preciso ir além. A media intelligence permite gerir assuntos, prever crises e, em última instância, gerir reputação. Esta monitorização em real-time, que é, a meu ver, crescentemente fundamental para qualquer empresa, dá a oportunidade a qualquer gestor de planear, antecipar, atuar e, principalmente, não “correr atrás do prejuízo”.

Devo destacar que a monitorização não é algo que deva ser sempre feito a todas e quaisquer notícias e informações que saiam para conhecimento público. Isso por vezes tornar-se-ia avassalador para a equipa que esteja encarregue de elaborar a análise. Deve haver, sim, uma seleção assertiva dos parâmetros de pesquisa. Utilizar o método booleano é imprescindível para a eficiência. Ao escolher palavras-chave específicas – e excluir as que não acrescentam valor -, bem como utilizar ferramentas de monitorização que utilizem uma tecnologia já muito bem definida, é possível encontrar o equilíbrio certo entre estar sempre a par de temas macro, mas sem haver um sentimento de sobrecarga, e simultaneamente acompanhar, em tempo real, as novidades do setor.

Os profissionais de Comunicação Estratégica devem ter agilidade e competência para, rapidamente, ajustar o que estava previamente planeado para algo que se adeque à situação atual. Mas isto só é possível se, repito (porque nunca é demais destacar), existir uma avaliação contínua e assertiva de assuntos, que idealmente contemple ambas as opiniões: a publicada (o que os meios publicam) e a pública (a real perceção dos públicos-alvo).

É como dedicar tempo ao exercício físico para nos mantermos saudáveis. Tal como qualquer outro hábito saudável, a prática regular de media monitoring, com a derivação de insights estratégicos,  tem um impacto positivo, de forma transversal, na tomada de decisão estratégica – seja de comunicação institucional, seja de reputação de marca, seja de posicionamento e notoriedade.

Filipe Manuel Pereira, diretor-geral da CARMA CPLP 

Quinta-feira, 03 Outubro 2024 09:32


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