Briefing | Como descreve a evolução da marca BTL no setor do Turismo em Portugal e lá fora, 35 edições depois?
Rita Marques | São 35 anos a trabalhar de forma muito árdua. A marca tem evoluído de forma muito positiva, quer ao nível nacional, com o País aqui representado de lés a lés – municípios, comunidades intermunicipais, entidades regionais de turismo, agências regionais de promoção turística, operadores, agências de viagem, etc. –; quer internacional, com mais de 100 destinos internacionais apresentados – a maior representação de sempre, este ano – e mais de 200 hosted buyers de cerca de 50 origens diferentes.
Para celebrarmos os 35 anos, lançámos a nova narrativa associada à marca Bolsa Turismo de Lisboa, que se reinventa e aparece o “Better Tourism”. De alguma forma, afirma o nosso compromisso de também querer discutir os assuntos internacionais que interessam ao setor.
Sendo esta a maior edição de sempre, que fatores contribuíram para este crescimento?
Desde logo, a notoriedade de Portugal. As parcerias público-privadas em Portugal são imensas, cada vez mais musculadas, mais intensas; e quer as entidades públicas, quer os operadores privados, têm um papel fundamental para dar vida e cor à BTL.
Contribuiu, também, o facto de estarmos a ter crescimentos fundamentais no setor. Em janeiro, saíram os últimos resultados, que mostram crescimentos de 14,4 % dos proveitos turísticos em relação a janeiro de 2024. Estamos, mais uma vez, a bater recordes.
O turismo continua a afirmar-se como um dos pilares da economia portuguesa, com novos recordes de desempenho em todos os principais indicadores. De que forma a BTL tem vindo a contribuir para a promoção do marketing territorial do País e das suas regiões?
Desde logo, a BTL, sendo um evento anual, imprime velocidade e exigência. Todos nós, para estarmos aqui representados, temos de fazer um trabalho de casa prévio e, portanto, a marcação acertada de agenda e de cadência de trabalho é fundamental. O facto de estarmos aqui, no primeiro trimestre de cada ano, na BTL – embora possa haver vários eventos da mesma ao longo do ano –, impõe um ritmo e uma exigência de trabalho a todas as entidades públicas e a todos os operadores privados. Desde logo, só por isso é fundamental.
Por outro lado, além de ser um ponto de encontro de todo o setor, é, sobretudo, um ponto de reflexão para o futuro. É cada vez mais esse o posicionamento que queremos assumir. O Turismo de Portugal está prestes a lançar a nova estratégia e a intenção era que tivesse sido desvendada na BTL, no entanto, devido aos calendários políticos, não foi possível fazê-lo. Ainda assim, o objetivo é que a BTL comece a aparecer não só como uma grande feira, em que cada um tem a possibilidade de mostrar a sua oferta, mas também como um ponto de encontro, de debate, de reflexão sobre que turismo é este que queremos ter.
Como dizíamos há pouco, estamos continuamente a bater recordes, mas há um limite. Não sabemos bem qual é ainda, mas, pelo menos, sabemos o que queremos e que não queremos. Queremos continuar a ter um turismo de boa qualidade – que vai sendo esbatido ao longo da sazonalidade, dos vários meses do ano, de modo a garantirmos a atividade turística –, um turismo mais inovador, mais sustentável e com maior qualidade no talento que nos acolhe. É muito importante que a BTL se afirme como ponto de encontro, para que estas políticas/práticas possam ser discutidas e apresentadas.
Quais são os principais pilares estratégicos da BTL, para reforçar essa sua relevância enquanto plataforma de negócios e promoção turística?
A BTL tem de se afirmar em quatro grandes eixos. O primeiro é garantir que toda a oferta nacional está presente, o que tem sido possível. O segundo passa por garantir que grande parte da oferta internacional possa estar presente – este ano, já estavam 100 destinos, mas o objetivo é que haja cada vez mais interesse e curiosidade. Outro dos eixos é conseguir o matching entre o nacional e o internacional, ou seja, apostar nos hosted buyers – por exemplo, garantir que os nossos operadores turísticos têm disponibilidade para mostrar o seu produto e as suas experiências; e que os operadores internacionais possam adquirir essa oferta e promovê-la lá fora. Por fim, é que os próprios operadores turísticos internacionais tenham a disponibilidade de mostrar aos nacionais a sua oferta na BTL, ou seja, que haja uma bidirecionalidade.
Estas quatro componentes são fundamentais e a BTL está a fazer esse caminho, com esta nova marca que lançou recentemente.
Pegando no primeiro eixo, como se equilibra a promoção das regiões mais conhecidas com a dos destinos emergentes ou menos explorados?
Desde logo, temos de dar a conhecer os destinos emergentes e menos explorados. Esta é uma excelente montra para que se deem a conhecer, e é curioso porque os destinos mais visitados também estão muito interessados em servir como tabuleiro de distribuição para outros destinos. Por exemplo, dentro concelho de Lisboa, temos áreas mais e menos populosas ao nível de turismo, e, por isso, tem havido um esforço do município para distribuir a carga turística. E quando falo de Lisboa, posso estar a falar da Área Metropolitana de Lisboa, de uma comunidade intermunicipal ou de uma região.
Tem havido essa preocupação, por parte das zonas com mais carga turística, em fazer um esforço para que o turista, ao fim dos dois/três dias de pernoita na cidade, não se vá embora de Portugal e possa estender essa experiência, visitando algumas regiões ou alguns sítios que estão adstritos geograficamente. E para quê? Para que o nosso calcanhar de Aquiles, que é o número de noites dormidas no País – é relativamente baixo, três noites em média – possa crescer. Essa ponte entre territórios é feita na BTL e diria que é fundamental.
É evidente que, além do marketing estratégico e territorial, de modo a garantir que esses territórios são vendidos de forma cruzada, é necessário criar estímulos à visitação. A mobilidade para esses destinos é fundamental, bem como uma oferta qualificada hoteleira, de restauração, de animação turística, etc.. Isso passa, também, pelas Escolas do Turismo de Portugal. Temos a felicidade de ter várias distribuídas pelo território nacional, o que ajuda a que o talento, as pessoas e os recursos humanos sejam qualificados junto dos territórios menos explorados.
Carolina Neves
*Esta entrevista pode ser lida na íntegra na edição impressa de março de 2025

