As redes sociais deixaram de ser montras para se tornarem em espaços de conexão e influência. E enquanto assistimos a influenciadores a construírem verdadeiros impérios pessoais com estratégia, temas definidos, rotinas claras e um domínio perfeito dos algoritmos, ainda vemos a maioria das marcas a usarem o Instagram e o TikTok como canais estáticos de autopromoção. E a pergunta é inevitável: se os influenciadores se transformam em marcas, por que as marcas ainda resistem em se comportar como influenciadoras?
O sucesso nas redes sociais hoje não está só em estar presente, mas sim em atuar de acordo com o algoritmo e as boas práticas de cada canal, com consistência, estratégia e autenticidade. E as marcas que encaram as suas redes como criadores de conteúdos, como verdadeiros influenciadores, ganham mais do que likes — constroem comunidades, ganham audiência, cada vez mais alcance e relevância cultural. Tanto o Instagram quanto o TikTok priorizam conteúdos que geram um rápido engagement (likes, comments e shares), que prendem as pessoas do início ao fim, e premeiam os perfis que fazem publicações frequentes. É assim que o algoritmo entende os conteúdos (tanto de marcas como de pessoas) para os distribuir de uma forma orgânica. Todo o vídeo é uma experiência para o algoritmo. Se o conteúdo tiver uma boa performance (alcance e engagement), é distribuído cada vez mais, pela plataforma, a outros usuários.
Um ótimo exemplo é o da Ryanair no TikTok: a companhia aérea adotou uma persona divertida alinhada às boas práticas da plataforma. O conteúdo é quase sempre em vídeo curto, com uso de memes, linguagem nativa e uma consistência de publicações que mantém o perfil ativo no For You. Resultado: mais de dois milhões e meio de seguidores e um alcance global. E vejamos outro case: o perfil da loja Magazine Luiza no Instagram e no TikTok. A marca brasileira criou a personagem Lu, que começou como uma vendedora virtual, mas que depois a transformou numa verdadeira influenciadora digital. Com uma estratégia de conteúdos bem definida, a marca publica tendências, dicas, lifestyle, promoções, e assim conseguiu construir uma presença bastante emocional e próxima que acaba por se refletir nas vendas e na confiança das pessoas.
As marcas precisam, como os influenciadores, de perceber que um perfil de sucesso nasce de um tripé: frequência, relevância e relacionamento. Ter um cronograma editorial não é só uma questão operacional, é uma estratégia algorítmica. E interagir com a audiência — respondendo a comentários, usando UGC (conteúdo gerado por usuários), promovendo colaborações — é o que transforma seguidores em comunidade ativa que interage com a marca. Os influenciadores viraram marcas porque percebem o poder do conteúdo, da consistência e da conexão. Está mais do que na hora de as marcas virarem influenciadoras — e não só porque querem vender, mas porque querem influenciar e querem pertencer.
Inês Ramada Curto, codiretora executiva e sócia da Snack Content Portugal

