Com a entrada em vigor do European Accessibility Act (EAA), muitas empresas continuam a subestimar o que está em causa e o que esta nova lei poderá significar para a sua presença digital.
Esta diretiva europeia, obrigatória a partir de 28 de junho de 2025, exige que websites, aplicações móveis, plataformas de e-commerce, e-mails e outros canais digitais sejam 100 % acessíveis a todos os utilizadores, incluindo pessoas com deficiências visuais, auditivas, motoras ou cognitivas.
Apesar da clareza da lei, 45 % dos profissionais inquiridos num estudo da AbilityNet em 2024 afirmaram não saber se a sua organização era abrangida pela legislação, o que demonstra uma grande falha de sensibilização e preparação a esta adaptação.
Independentemente da etapa de adaptação na qual se encontra o seu negócio, estes são os erros mais frequentes (ainda que fáceis de evitar) que “escapam” à maior parte das empresas.
Erro n.º 1: Tratar a acessibilidade como um extra
Muitas empresas continuam a ver a acessibilidade como um “acrescento” opcional ou algo a tratar apenas “quando houver tempo”. No entanto, esta abordagem está longe de ser a mais correta. Muito pelo contrário, o investimento na acessibilidade e inclusividade deve ser incluído num projeto desde o início do mesmo, tornando o fluxo de trabalho mais eficaz, simples e fluído. A negligência desta prática apenas resulta em soluções mal-adaptadas, correções dispendiosas e, a partir de junho de 2025, implicará riscos legais reais como multas até 12.000€ por infração, exclusão de concursos públicos, possível exclusão de mercados e perda de reputação junto dos clientes.
Erro n.º 2: Foco apenas no “visual”
Nem sempre uma imagem vale mais do que mil palavras, muito menos no que toca ao EAA. Esta nova lei baseia-se nas diretrizes WCAG 2.2, sendo o nível AA o mínimo recomendado. No entanto, no que toca a elementos gráficos e visuais, muitas organizações focam-se apenas em alterar contrastes de cores ou aumentar tipografias, esquecendo elementos cruciais como inclusão de estrutura semântica, adaptação para navegação por teclado, adição de descrições alternativas em imagens e feedback acessível em formulários. A acessibilidade não é só estética, é funcional e inclusiva, e estas medidas são cruciais para a navegação otimizada de utilizadores com deficiência visual, auditiva e cognitivas.
Erro n.º 3: Ignorar os canais invisíveis
Canais como e-mails, aplicações móveis, documentos digitais, notificações e até portais de apoio ao cliente continuam a ser esquecidos por muitos. No entanto, a legislação não poderia ser mais clara: todos os pontos de contacto digitais com o utilizador, sem exceção, devem ser acessíveis e inclusivos. Isso inclui campanhas de marketing, e-mails transacionais, newsletters, aplicações móveis e todos os outros pontos acima mencionados.
Erro n.º 4: Não envolver utilizadores reais
Ferramentas automáticas de auditoria (como WAVE, Stark ou Axe) são úteis, e um excelente primeiro passo para uma presença digital acessível, mas são também insuficientes para uma adaptação de sucesso. Apenas ao testar com utilizadores reais, especialmente pessoas com deficiências ou dificuldades auditivas, visuais, motoras e cognitivas, é possível validar verdadeiramente a experiência do utilizador e compreender os pain points existentes. Ignorar esta etapa é um erro crítico e recorrente, podendo originar queixas, ou até mesmo multas, desnecessárias.
O verdadeiro risco é ficar para trás
A acessibilidade não é só um requisito legal. É uma exigência ética e uma vantagem competitiva clara. Empresas como Booking.com, Allegro ou o Gov.pt já investiram em experiências digitais acessíveis, obtendo resultados como aumento de retenção, aumento de vendas e confiança do consumidor.
Joana Meireles, CEO & cofundadora da JMR Digital Marketing

