Cata Vassalo com coroa própria

Primeiro surgiram os chapéus de convidada, depois as headpieces para noiva – e a notoriedade. Mais tarde, aos brincos e aos anéis juntaram-se as clutches, as pulseiras, as pregadeiras e, por fim, a roupa bordada com pedraria. Agora, Cata Vassalo abre a primeira loja física, em Lisboa. Um espaço que celebra o empowerment e acolhe todas as coroas.

Cata Vassalo com coroa própria

A abertura da primeira loja física da Cata Vassalo, no Amoreiras Shopping Center, assinala um novo capítulo na história de uma marca que tem vindo a crescer de forma orgânica e criativa desde 2015. Depois de uma década a conquistar seguidores com acessórios para noivas, joalharia personalizada e, mais recentemente, peças de vestuário bordadas à mão, a criadora Catarina Vassalo consolida a sua presença com um espaço permanente no centro de Lisboa. Um momento que representa mais do que uma simples expansão comercial: é a materialização de uma relação cada vez mais próxima com a comunidade que tem vindo a construir ao longo dos anos.

Este novo espaço permanente vem somar-se a outros marcos importantes, como “o primeiro ateliê, a mudança para outro espaço, cada coleção, cada uma das Utopias”. “Tudo deixa uma marca e reflete muitos dias de dedicação e aprendizagem”, diz a designer de moda e acessórios. 

“Abrir em Lisboa é mais um passo. Aproxima-nos das pessoas por ser mais central e permite-nos dar a conhecer peças únicas – como a roupa, por exemplo – que tendem a ser mais desconhecidas”, afirma, sublinhando a importância do contacto direto e da experiência sensorial na relação com o cliente.

A escolha do Amoreiras não foi um acaso. Além da centralidade e do carácter emblemático do centro comercial, a loja permite aproximar a marca de quem a acompanha há anos, e também de quem a descobre pela primeira vez. “Estar em Lisboa num espaço tão central e histórico como o Amoreiras é uma forma de darmos a conhecer peças únicas – como a roupa, por exemplo – que tendem a ser mais desconhecidas”, explica a fundadora e diretora criativa.

Este torna-se agora o espaço principal da marca, assumindo o papel de montra e centro de atendimento personalizado. Apesar de estar inserido num centro comercial, mantém o espírito acolhedor e intimista que distingue a insígnia desde o início. “Queremos que quem nos visita se sinta quase como em casa, como numa visita entre amigos ou família. Temos a loja aberta ao público em geral e também momentos dedicados a noivas e clientes que procuram peças mais premium e personalizadas”.

O ateliê na Beloura (Sintra) passou, por sua vez, a estar praticamente centrado na produção e confeção, mantendo, diz, o mesmo rigor artesanal que sempre caracterizou o universo criativo da marca.

Num momento em que muitas marcas reduzem o investimento em espaços físicos, Cata Vassalo aposta na expansão presencial como forma de reforçar a ligação emocional com quem a segue. Além disso, estreou-se recentemente a norte com um corner no NorteShopping – um quiosque que, anteriormente, esteve instalado no Amoreiras. A missão é clara: permitir que os clientes possam ver, experimentar e adquirir peças na hora, sem depender exclusivamente do canal online. “Há muito tempo que nos pediam que estivéssemos presentes no Porto. Costumamos ir todos os anos fazer atendimentos de noiva, mas agora conseguimos, finalmente, estar também para todas as outras pessoas que gostam da marca”, observa. Trata-se de uma abordagem omnicanal onde as ativações presenciais e o canal online se complementam. A experiência da marca é pensada para ser sensorial e emocional, e, por isso, quanto mais próxima estiver do seu público, maior o impacto e a ligação.

Esta presença física é, no fundo, uma extensão da filosofia que tem norteado o crescimento da marca: escutar atentamente quem está do outro lado. “A grande motivação foi continuar a ouvir quem nos escolhe. Queremos estar perto e disponibilizar o que fazemos de forma mais próxima também”, realça Catarina Vassalo.

A diversidade criativa é hoje uma das grandes forças da marca. Começou com acessórios de cabelo, evoluiu para brincos, anéis, clutches, pulseiras e broches, até que, em 2022, a estreia do desfile “Utopia” marcou a entrada no vestuário. “Foi uma paixão que descobrimos com o desfile e que não queremos mais deixar”, afirma. As peças de roupa com pedraria bordada à mão tornaram-se uma parte essencial da oferta da marca, com igual cuidado nos detalhes e no acabamento. “Queremos ser uma marca que cria peças que transmitem empowerment a quem as usa. Acreditamos que cada um de nós tem a sua própria coroa – e essa coroa pode assumir muitas formas. Nós estamos cá para a criar”.

Com uma equipa em crescimento, dividida entre atendimento, joalharia e confeção, a marca mantém o foco na criação artesanal e na experiência de marca, tanto online como offline. As ativações e eventos são uma constante, e a loja no Amoreiras promete tornar-se palco de muitos momentos especiais. “Queremos sempre ter em nossa casa as pessoas que mais admiramos. Sejam as pessoas com quem trabalhamos, as pessoas que nos inspiram ou os clientes que nos escolhem”.

Outro ponto alto recente foi o documentário “Watch Me”, que revelou o processo criativo e a dedicação por detrás de cada peça. “Foi importante para mostrar que não existe um único detalhe que não seja pensado. Cada peça implica tantas mãos e tantas horas… dias… semanas de trabalho. Por outro lado, o documentário mostra a nossa essência: quem somos, como vemos o mundo e que marca queremos deixar”.

Sem planos rígidos, mas com a intuição como bússola, a marca segue um percurso próprio, guiado por relações, experiências e pelo desejo de criar impacto emocional. “Nunca fazemos planos. Isso é algo que nos diferencia. Apanhamos todas as oportunidades e damos tudo de nós”, resume Catarina Vassalo. Para os próximos anos, o foco será continuar a aproximação sem perder o que distingue a marca: a dedicação artesanal, o atendimento personalizado e a missão de empoderar cada pessoa através das peças que cria. O desejo é simples: continuar a criar laços, surpreender e inspirar. Em Lisboa, no Porto – e além.

Sofia Dutra

Sexta-feira, 29 Agosto 2025 12:05


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