De acordo com o relatório, apesar de a utilização de um meio para as pessoas se atualizarem continue a ser o principal fator de relevância para todas as faixas etárias, as motivações por detrás desta perceção têm vindo a alterar-se e persistem diferenças geracionais. No que diz respeito à credibilidade, esta é mais consensual, com os canais de televisão aberta a permanecerem como os meios mais credíveis em todas as idades, seguidos dos jornais. Contudo, a partir de 2023, tem-se registado uma mudança entre os mais jovens, com os motores de busca a ganharem território em detrimento da rádio e, especialmente, com as redes sociais a entrarem para o top 5 de credibilidade.
Já a tendência de “fuga a notícias” está a aumentar, o que reflete cansaço face à negatividade e ao contexto de permacrise (estado de crise permanente), segundo a Havas Media Network. O grupo de comunicação alerta que, se este movimento for associado à crescente substituição do jornalismo profissional por criadores de conteúdos digitais, impulsionada por algoritmos, há um risco acrescido de escassez de confiança, potenciado pela desinformação e polarização de opiniões.
Relativamente à forma como as diferentes gerações encaram a publicidade, os resultados continuam a mostrar perceções muito distintas. Os mais jovens revelam menor tolerância face à publicidade e são os que mais utilizam adblockers. No entanto, a faixa etária entre os 15 e os 34 anos também reconhece que uma boa qualidade criativa e uma segmentação relevante contribuem positivamente para a sua experiência com anúncios. Já entre os mais velhos, existe uma maior aceitação da publicidade, “quase uma questão cultural assente no hábito”.
Simão Raposo

