Porque é que tantos CEO continuam a tratar o SEO como um detalhe técnico, quando o SEO está no centro da descoberta digital?
Durante anos, SEO foi visto como uma função de bastidores: trabalhar palavras-chave, afinar meta‑descrições e procurar backlinks. Tudo válido. Mas, em 2025, já não basta. Hoje, é também sobre garantir que a marca aparece nas respostas geradas por Inteligência Artificial (IA)
Com o avanço da IA, os motores de pesquisa já não se limitam apenas a mostrar links e os Large Language Models (LLM), como o ChatGPT, o Gemini ou o Perplexity, dão respostas completas, recomendam produtos e até citam marcas. Isso significa que o utilizador pode formar opinião e tomar decisões sem visitar um único site.
Fazer SEO hoje implica otimizar para que a marca seja reconhecida como fonte credível por esses modelos, o que exige autoridade externa validada, conteúdo estruturado para ser facilmente interpretado e presença consistente fora do próprio website. Para os CEO, mais do que uma questão técnica, isto é uma prioridade estratégica.
O peso de SEO no seu negócio
SEO é uma das ferramentas mais eficientes para gerar crescimento e autoridade. Eis alguns dados que ilustram isso de forma clara:
– Mais de 53 % do tráfego de um website médio vem de pesquisa orgânica (BrightEdge)
– O SEO gera até 1000 % mais tráfego do que redes sociais (HubSpot)
– E o mais importante: leads vindos de SEO têm uma taxa de conversão até oito vezes superior a outros canais (Search Engine Journal)
– Além disso, empresas com forte presença orgânica são percecionadas como mais confiáveis por 75 % dos consumidores (Edelman Trust Barometer)
Ou seja, o SEO deixa de ser somente uma questão de visibilidade, para passar a ser uma questão de vendas, confiança e influência digital. E nesta nova tendência emergente, em que a pesquisa é cada vez mais feita por IA, com respostas geradas diretamente nas SERP, o verdadeiro desafio é fazer parte da resposta.
De canal de aquisição a motor de crescimento
O SEO passou a ser um sistema integrado de crescimento digital e as empresas mais competitivas já perceberam que o SEO não é exclusivamente para atrair visitantes. Serve, também, para alimentar decisões em produtos, comunicação, vendas e customer success.
– No produto, revela o que o mercado procura, com dados reais e não com suposições
– Na comunicação, orienta a criação de conteúdos relevantes, que resolvem problemas e reforçam a presença da marca nas respostas que os utilizadores encontram
– Nas vendas, atrai leads com intenção e não apenas visitantes aleatórios. São pessoas com dores identificadas e urgência real
– No customer success, reforça a experiência do cliente através de conteúdos que antecipam dúvidas e minimizam a necessidade de suporte
SEO vive em cada descrição de produto, em cada vídeo, em cada resposta que a marca dá e, agora, até em respostas que a marca nem controla, como os resumos por IA. É aí que começa (ou termina) a visibilidade. Quem percebe isto constrói presença. Quem não percebe, perde espaço e nem sempre se dá conta.
Visibilidade é sobrevivência. E é por isso que os CEO devem prestar atenção
A lógica é simples. Se a marca não aparece, não é considerada. E a visibilidade digital não depende apenas de investimento em anúncios. Depende da capacidade de estar presente nas respostas que os utilizadores recebem de forma orgânica, imediata e credível.
Por isso, a ausência nos resultados de pesquisa não é um problema técnico, mas uma falha estratégica. O SEO tem impacto direto em áreas críticas do negócio:
– Branding: aparecer nos resultados transmite autoridade e as marcas que surgem com frequência são tidas como líderes
– Recrutamento: candidatos qualificados pesquisam. E escolhem empresas com presença visível e reputação digital
– Aquisição de clientes: leads vindos de SEO tendem a ser mais qualificados e com custos de aquisição mais baixos
Perceção externa: o mercado associa presença orgânica consistente a relevância e solidez
Ignorar SEO é permitir que os concorrentes ocupem o espaço onde as decisões começam. E esse espaço, uma vez perdido, é difícil de recuperar.
O SEO na linguagem que um CEO entende
É aqui que a conversa precisa de mudar. Durante anos, o SEO falou uma língua própria: backlinks, meta tags, canonical URL, etc.. Mas o C-level não investe com base em detalhes técnicos. Investe com base em retorno, eficiência e liderança de mercado.
É preciso traduzir o impacto do SEO em indicadores que ressoam nas salas de direção:
– Quota de mercado digital: quanto da procura online do setor está a ser captada pela marca?
– Eficiência de investimento: o custo por lead em SEO é, em média, muito inferior ao do paid media e o efeito prolonga-se no tempo
– Efeito cumulativo: ao contrário da publicidade paga, o SEO constrói um ativo digital. Quanto mais se investe, mais retorno se acumula. É o compounding effect da visibilidade
– Força da marca: aparecer repetidamente em respostas orgânicas reforça familiaridade e confiança, mesmo sem cliques
No fundo, SEO é um jogo de longo prazo que influencia o presente. É uma alavanca estratégica para crescimento, diferenciação e autoridade, e deve ser tratado como tal.
Nos moldes emergentes, onde a pesquisa se torna conversacional, onde a IA gera respostas antes do clique e onde o tráfego direto dá lugar à citação confiável, o critério de sucesso não é o clique, é a presença.
Portanto, um utilizador faz uma pergunta. A IA responde. A marca está nessa resposta? Se não estiver, então já está a perder mercado antes mesmo de entrar na competição.
Rafael Almeida, Head of SEO da NOS & docente no IPAM Porto

