Briefing | O seu percurso está intrinsecamente ligado à antecipação de tendências. Olhando para trás, qual foi o momento de carreira que o levou a perceber que o mercado português precisava de uma estrutura como a imatch para navegar na inovação?
Paulo Dias | O “clique” aconteceu precisamente na transição entre a minha experiência na Danone e a criação da imatch. Na Danone tive a oportunidade de viver muito de perto como a inovação pode transformar um mercado inteiro. Em Portugal, o consumo de iogurte passou de cerca de 6 kg per capita para mais de 20 kg, e isso não aconteceu apenas por lançar novos produtos – aconteceu porque houve uma estratégia consistente de inovação que expandiu a categoria e criou novos hábitos de consumo.
Essa experiência fez-me perceber duas coisas. Primeiro, que a inovação é um motor real de crescimento de mercado. Segundo, que dentro das organizações existe muito mais inteligência e potencial criativo do que normalmente conseguimos mobilizar.
Foi aí que surgiu a convicção de que o verdadeiro desafio não era apenas tecnológico. A tecnologia é um acelerador fundamental – e hoje ainda mais, com a IA e as plataformas digitais –, mas a grande alavanca está na capacidade de ativar a inteligência coletiva das pessoas dentro e fora das organizações.
A imatch nasceu exatamente dessa visão: ajudar empresas a criar contextos onde equipas, parceiros e ecossistemas possam pensar diferente, colaborar melhor e transformar ideias em impacto real. Hoje vemos que essa combinação entre pessoas, métodos e tecnologia é cada vez mais crítica para navegar a complexidade e construir o futuro.
A imatch não se apresenta como uma consultora tradicional. Se tivesse de explicar o propósito da empresa a um CEO que está hoje a lutar para digitalizar o seu negócio, como é que definiria o valor único que a imatch entrega ao mercado?
Se tivesse de explicar a um CEO, diria que a imatch existe para ajudar as organizações a transformar ambição em mudança real – aquilo a que chamamos amplifying innovation.
Hoje muitas empresas estão a investir fortemente em digitalização, dados ou IA. Mas na prática o maior bloqueio raramente está na tecnologia. Está na capacidade das organizações mobilizarem as suas pessoas, alinharem liderança e transformarem potencial em inovação concreta.
É aqui que entra a imatch. Não somos uma consultora tradicional focada apenas em estratégia ou relatórios. Trabalhamos na intersecção entre inovação, cultura e transformação organizacional para amplificar a capacidade de inovação das empresas. Isso significa ativar a inteligência coletiva das equipas, ligar pessoas e ecossistemas e criar contextos onde ideias se transformam em soluções, novos modelos de negócio e impacto real.
Fazemo-lo através de processos colaborativos, experiências imersivas, programas de inovação e iniciativas que ajudam as organizações a experimentar, aprender e acelerar a mudança.
Num mundo onde a tecnologia evolui a uma velocidade enorme, acreditamos que a verdadeira vantagem competitiva está na capacidade de as empresas aprenderem mais rápido, colaborarem melhor e adaptarem-se continuamente.
No fundo, ajudamos organizações a amplificar o seu potencial de inovação para construírem o que vem a seguir.
O BTF é um momento de inspiração intensa durante dois dias, mas a transformação acontece nos outros 363 dias do ano. Qual é o papel da imatch no acompanhamento das empresas para que os insights do evento se transformem em cultura de inovação permanente e não fiquem esquecidos numa gaveta?
O BTF é um momento muito poderoso de inspiração. Durante dois dias, líderes e equipas entram em contacto com novas tecnologias, novas ideias e novas possibilidades. O desafio, como muitas organizações sabem, é garantir que essa inspiração não fica apenas no entusiasmo do momento.
A transformação acontece depois. O papel da imatch é precisamente ajudar as empresas a fazer essa ponte entre inspiração e implementação. Trabalhamos com organizações para transformar os insights que surgem nestes momentos em iniciativas concretas: novos desafios de inovação, programas internos, projetos experimentais ou até novos modelos de negócio.
Mas, mais do que projetos isolados, o foco está em construir capacidade interna de inovar de forma contínua. Isso passa por mobilizar equipas, criar métodos de colaboração, envolver diferentes áreas da organização e muitas vezes ligar a empresa a startups, parceiros ou outros atores do ecossistema.
A tecnologia – incluindo a IA – está a abrir possibilidades enormes. Mas o verdadeiro impacto acontece quando as organizações conseguem integrar essas oportunidades na sua cultura e na forma como tomam decisões.
É aí que trabalhamos: ajudar empresas a transformar momentos de inspiração em movimento consistente de inovação ao longo de todo o ano.
Organizado pela imatch, o BTF tornou-se o grande ponto de encontro da tecnologia e inovação em Portugal. O que é que esta edição traz de fundamentalmente diferente para quem gere marcas e equipas que atuam na área da tecnologia e da IA?
O BTF tem-se afirmado como um espaço onde tecnologia, inovação e liderança se cruzam para discutir o que vem a seguir. Este ano há uma mudança muito clara: passámos da fase de explorar o potencial da IA para a fase de a integrar seriamente nas organizações.
Nas primeiras ondas, muitas empresas estavam sobretudo a experimentar. Hoje a pergunta já não é “o que é a IA capaz de fazer?”, mas sim “como é que a integramos nos nossos produtos, nos nossos processos e nas decisões do dia a dia das equipas?”.
Por isso, esta edição traz uma discussão muito mais prática e estratégica. Vamos falar de como transformar IA em vantagem competitiva, de como redesenhar modelos de negócio, de como preparar equipas para trabalhar com estas novas capacidades e também de como liderar esta mudança.
Para quem gere marcas e equipas na área da tecnologia, o grande valor está nessa combinação: perceber as grandes tendências que estão a emergir, mas também ouvir casos concretos de organizações que já estão a aplicar estas tecnologias. Há sobretudo algumas intervenções que vão abordar a IA como ferramenta de amplificação do potencial criativo de equipas, e especificamente de equipas na gestão de marcas.
Mais do que um evento sobre tecnologia, o BTF é cada vez mais um espaço para discutir como pessoas, tecnologia e inovação se combinam para construir o futuro das organizações.
Muitas vezes diz-se que o BTF é “onde o futuro se constrói”. Para a imatch, qual é o maior orgulho quando vê o impacto que este evento tem tido no tecido empresarial português ao longo dos anos?
O maior orgulho para a imatch é ver que, ao longo dos anos, o evento se tornou muito mais do que uma conferência. Tornou-se um ponto de encontro do ecossistema de inovação em Portugal, onde empresas de diferentes sectores, startups, academia e líderes públicos se cruzam para discutir desafios reais e explorar novas oportunidades.
Temos visto muitas organizações usar o BTF como um momento de viragem – seja para iniciar programas de inovação, acelerar a transformação digital ou começar a explorar tecnologias emergentes como a IA.
Mas talvez o impacto mais interessante seja outro: ajudar a criar uma cultura de curiosidade e abertura à mudança nas organizações. Quando milhares de pessoas se juntam para discutir o futuro, partilhar experiências e aprender umas com as outras, cria-se uma energia coletiva que depois se espalha pelas empresas.
Para nós, o verdadeiro orgulho é esse: saber que o evento tem contribuído para que cada vez mais organizações em Portugal pensem de forma mais ambiciosa sobre inovação, tecnologia e sobre o papel que querem ter na construção do futuro.
Em 2026, o desafio já não é saber se a tecnologia funciona, mas sim como a integramos com propósito. Para as empresas e profissionais que vivem a inovação e a IA no dia a dia, qual deve ser o grande foco estratégico para os próximos meses? O que é que não pode faltar no radar de quem está a desenhar o futuro das organizações?
Em 2026 já não estamos na fase de provar que a tecnologia funciona. A IA, os dados e as plataformas digitais já demonstraram o seu potencial. O verdadeiro desafio agora é como integrá-los com propósito na forma como as organizações criam valor.
Para quem lidera inovação ou tecnologia, diria que há três focos estratégicos que não podem sair do radar.
O primeiro é reimaginar o trabalho e as capacidades das equipas. A IA não é apenas uma ferramenta de eficiência; é uma tecnologia que redefine funções, processos e a forma como tomamos decisões. As organizações que vão avançar mais depressa são as que conseguem combinar talento humano com estas novas capacidades aumentadas.
O segundo é transformar experimentação em escala. Muitas empresas já fizeram pilotos com IA. O próximo passo é integrar essas soluções em processos core do negócio, com impacto real em produtividade, experiência do cliente e novos modelos de negócio.
E o terceiro é liderança e cultura. A velocidade da mudança tecnológica exige organizações mais abertas à aprendizagem, à colaboração e à experimentação contínua. À medida que a tecnologia ganha escala dentro das organizações, torna-se essencial garantir também princípios claros de governação, responsabilidade e segurança no uso da IA. Mais do que um tema puramente tecnológico, é um tema de liderança e de confiança organizacional.
No fundo, o grande desafio não é apenas adotar tecnologia. É desenvolver a capacidade organizacional para aprender, adaptar e inovar continuamente num mundo cada vez mais acelerado. É isso que vai diferenciar as empresas que lideram das que apenas reagem.

