O product placement como ponte entre as marcas e o público

A NOS Publicidade tem como um dos objetivos promover o product placemenet no setor do Cinema em Portugal. Em entrevista à Briefing, o diretor afirma que esta estratégia acrescenta valor à narrativa e reforça o posicionamento das marcas. Na opinião de Miguel Magalhães, num contexto em que a atenção é cada vez mais fragmentada, esta integração “subtil e relevante” torna-se uma forma “muito eficaz” de gerar “proximidade, autenticidade e identificação”.

O product placement como ponte entre as marcas e o público

Briefing | Como é que o product placement pode ser uma ferramenta para potenciar a relação com as pessoas?

Miguel Magalhães | O product placement tem a capacidade única de integrar as marcas de forma orgânica nas histórias que as pessoas escolhem ver. Ao contrário da publicidade tradicional, não interrompe — envolve. Quando bem feito, permite que a marca faça parte da narrativa, criando uma ligação emocional mais forte e duradoura com o público. Num contexto em que a atenção é cada vez mais fragmentada, esta integração subtil e relevante torna-se uma forma muito eficaz de gerar proximidade, autenticidade e identificação. Não é um modelo difícil de construir para que resulte. A criatividade e o bom senso de perceber que a melhor forma é a forma orgânica e não a presença massiva são essenciais. Há muitas oportunidades por explorar.

De que forma as experiências internacionais são um exemplo para o que pode ser feito em Portugal?

Os mercados internacionais demonstram que o product placement pode ser uma ferramenta estratégica de grande impacto, quando existe colaboração entre marcas, produtores e criadores. Em países com maior maturidade neste campo, vemos integrações sofisticadas, que acrescentam valor à narrativa e reforçam o posicionamento das marcas. Portugal tem talento criativo e capacidade de produção para seguir esse caminho — o que falta, muitas vezes, é escala e consistência. Além de alguma coragem de investir onde o main stream não investe.

Acredita que o setor do Cinema está aberto para integrar o product placement?

Sim, cada vez mais. O setor do Cinema reconhece a necessidade de diversificar fontes de financiamento e de criar novas formas de viabilizar projetos. O product placement, quando bem enquadrado, pode ser uma solução vantajosa para todas as partes: apoia a produção, respeita a integridade criativa e oferece às marcas um contexto de elevada qualidade e atenção. Existe hoje uma maior abertura, mas o sucesso depende sempre de encontrar o equilíbrio certo entre objetivos comerciais e liberdade artística. Entrar na fase de produção, falar com os produtores, integrar a marca no contexto, criar uma ideia que seja orgânica e não artificial faz toda a diferença e há caminho óbvio para isso.

Qual a maior motivação para as marcas investirem em publicidade nos cinemas?

O Cinema é o último santuário da atenção. Toda a experiência, a predisposição com que as pessoas se deslocam para ver e ouvir uma história, para se emocionarem, para rirem, chorarem, vibrarem, transforma o cinema num meio com características que muito poucos poderão enunciar. A principal motivação é a qualidade da atenção. O cinema oferece um ambiente imersivo, sem distrações, onde o público está totalmente focado na experiência. Isso traduz-se numa maior recetividade à mensagem e numa ligação emocional mais profunda. Para as marcas, é uma oportunidade de comunicar num contexto premium, com impacto e memorabilidade, algo que é cada vez mais difícil de alcançar noutros meios mais saturados e fragmentados.

Simão Raposo

Quinta-feira, 02 Abril 2026 11:21


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