Briefing | Como caracteriza o posicionamento da Pepper no ecossistema das agências digitais?
Pedro Machado Rodrigues | Num ecossistema digital cada vez mais fragmentado, o que liga todos os touchpoints é a narrativa.
Hoje, as marcas comunicam através de social media, creators, paid media e plataformas próprias. O desafio está em garantir uma narrativa capaz de ligar momentos, pessoas e marcas; e foi esta abordagem que nos levou ao reconhecimento de melhor agência criativa digital 2025, no recente estudo da Scopen.
Ao mesmo tempo, o paradigma do social media mudou: o conteúdo mais eficaz já não interrompe o feed, integra-se nele de forma natural. As redes tornaram-se plataformas de entretenimento e descoberta, impulsionadas pela creator economy, onde os próprios criadores são motores de conteúdo.
Por outro lado, a aceleração da inteligência artificial veio intensificar este cenário: mais conteúdo, mais depressa, mas também mais homogeneizado. O que torna ainda mais importante o significado que a inteligência humana incute às ideias.
É neste contexto que a Pepper se posiciona: ajudar marcas a ligarem-se a diferentes touchpoints através de narrativas mais amplas, com sistemas de conteúdos, produzidos in-house, onde contamos com o nosso estúdio e uma equipa de fotógrafos, filmmakers, produtores e stylists. Paralelamente, trabalhamos creators através de curadoria independente, garantindo sempre a melhor escolha para cada projeto.
Num mundo onde todos fazem posts, a verdadeira diferenciação está em construir narrativas e conteúdos que liguem as marcas às pessoas, em vez de interromper a sua experiência.
O que diferencia a Pepper, no top10 do ranking das agências mais criativas, num mercado cada vez mais competitivo e abrangente?
Dois grandes pilares: equipa e relação com cliente.
Começando pela equipa: é estável, com pouca rotação e altamente talentosa, o que garante consistência no trabalho diário – seja criativo, estratégico ou de gestão de projeto. O recrutamento é cirúrgico, focado em acrescentar valor e não apenas em preencher vagas.
Muitos dos projetos são acompanhados por equipas dedicadas, permitindo um conhecimento profundo e contínuo das marcas. Por outro lado, encaramos a cocriação e a cumplicidade com o cliente como uma parte fundamental do processo. Isso reflete-se em relações duradouras – temos clientes há mais de dez anos – e numa integração imediata com novos clientes.
O nosso propósito é acrescentar valor real ao negócio dos nossos clientes e não criar ideias que façam um bom portefólio.
Além da área digital, a Pepper tem vindo a desenvolver outros projetos em advertising. Com que marcas têm trabalhado nesta área e que outras iniciativas estão a ser desenvolvidas?
A integração das várias disciplinas da Comunicação está novamente a ganhar relevância, como mostram estudos recentes – e é um caminho que temos vindo a construir há vários anos.
Começámos como uma agência de brand experience (entre ativações de marca e eventos), rapidamente acompanhámos a tendência da comunicação digital no início da década passada e, nos últimos três a quatro anos, temos vindo a consolidar presença no advertising tradicional. Hoje, conseguimos oferecer uma abordagem mais completa aos nossos clientes.
Em 2025, ganhámos dois concursos de advertising de grande relevância para o presente e futuro da agência: Lidl, no âmbito do daily business; e a comunicação offline da Delta Q. Além disso, desenvolvemos projetos para várias marcas da Nestlé, como também para o Time Out Market, o Oceanário de Lisboa, a ZEISS, a Mota-Engil, entre outras.
Que tipo de marcas procuram a Pepper e com que foco?
Pelo nosso percurso e reconhecimento dos 15 anos de história, temos uma forte procura nas áreas da criação de conteúdo digital e brand experience. No entanto, com o crescimento na comunicação offline, tanto em advertising como branding, começamos a receber, cada vez mais, solicitações espontâneas nessas áreas.
Trabalhamos com marcas muito diversas, mas talvez com maior incidência nos setores da Saúde, Alimentar, Real Estate e Automóvel.
Quais são as prioridades estratégicas da Pepper a curto e médio prazo?
No digital, o maior desafio de uma posição de liderança é mantê-la. Ser número um implica uma responsabilidade ainda maior no trabalho que colocamos na rua. Neste sentido, a prioridade passa por consolidar essa posição e desenvolver áreas complementares, como o marketing de influência e a estratégia de paid media, garantindo uma oferta cada vez mais integrada.
No offline – em particular no advertising –, o foco está no crescimento. As contas Lidl e Delta Q são um sinal claro dessa evolução; e acreditamos que a conquista de novas marcas será uma consequência natural do trabalho que temos vindo a desenvolver.
Temos uma equipa talentosa e ambiciosa, e queremos continuar a elevar o nosso nível criativo em todas as áreas.
Pretendem reforçar a presença no meio ou expandir para novos mercados?
Neste momento, a prioridade estratégica é clara: consolidar a liderança no digital, manter a relevância no brand experience e crescer no offline.
Estamos abertos a projetos internacionais – como já tem acontecido –, mas de forma pontual. A prioridade continua a ser a consolidação em Portugal.
Como descreve a cultura interna da Pepper?
Com uma equipa de mais de 70 pessoas, ter uma cultura forte não é opcional – é estrutural. Os resultados do Best Agency to Work For, onde fomos primeiros em Brand Activation e segundos em Digital, refletem isso. A nossa cultura é human-centric e vive no dia a dia – nas equipas, nos projetos e em todas as interações, sejam elas online ou em formato presencial.
A estrutura da Pepper adapta-se às pessoas, e não o contrário. Isso permite uma organização mais dinâmica e alinhada com os interesses e a evolução de cada colaborador. Já tivemos designers que passaram a fotógrafos, community managers a gestores de eventos ou accounts a estrategas. Este modelo permite construir planos de carreira individuais de longo prazo e reduzir a rotação, um dos maiores desafios do setor.
Complementamos isto com benefícios e condições que reforçam o bem-estar: pequeno–almoço diário, soluções de almoço, manicure e massagem semanais, e atividades como yoga ou padel. Todos os colaboradores têm acesso a um budget relevante para formação, seja técnica ou pessoal, incentivando o crescimento contínuo.
As lideranças focam-se em inspirar e dar espaço às equipas, promovendo autonomia e responsabilidade.
Por outro lado, o horário não é rígido sendo gerido individualmente com flexibilidade e responsabilidade: cumprindo os objetivos, há espaço para equilibrar trabalho e vida pessoal – incluindo aproveitar o facto de estarmos em frente à praia a qualquer hora do dia.

