Nos últimos anos, o termo employer branding ganhou protagonismo nos departamentos de marketing, comunicação e recursos humanos. É muitas vezes associado a campanhas criativas, vídeos emotivos ou slogans inspiradores. Mas será isso suficiente para atrair e, sobretudo, reter talento num mercado cada vez mais competitivo?
A trabalhar no setor tecnológico há quase 10 anos, e em contacto próximo com equipas multigeográficas, aprendi que employer branding eficaz não nasce apenas de sessões de brainstorming ou mensagens inspiradoras. Este termo constrói-se no dia a dia da organização e na vivência autêntica dos seus valores: nas conversas informais, nos processos de onboarding, na forma como se encaram os erros, nos momentos de reconhecimento e, acima de tudo, na coerência e transparência entre o que se comunica e o que realmente se vive internamente.
Uma marca empregadora não é desenhada apenas por uma equipa de marketing e comunicação. Ela é coconstruída, todos os dias, pela forma como cada colaborador vive e reforça a cultura da organização, através das suas atitudes, decisões e interações. A experiência que oferecemos a um estagiário de verão, por exemplo, ou a atenção que dedicamos à integração de alguém numa equipa dispersa entre várias localizações geográficas, diz muito mais sobre quem somos do que qualquer vídeo institucional publicado nas redes sociais. Tenho tido oportunidade de trabalhar de perto estas dinâmicas, onde vejo diariamente como a vivência autêntica dos valores e a proximidade com as equipas formam uma verdadeira marca empregadora. A verdadeira marca empregadora vive-se de dentro para fora – e só assim se torna credível, relevante e inspiradora.
No meu percurso profissional, aprendi que o verdadeiro diferencial está nos detalhes. Está em criar experiências que aproximam equipas e alimentam o orgulho coletivo, seja através de momentos de celebração que elevam conquistas, de encontros que quebram barreiras entre equipas ou de pequenas iniciativas que valorizam o quotidiano e nos dão motivos extra para querermos estar presentes no escritório. Está em promover ações com impacto real — no ambiente, na comunidade e na vida das pessoas — que traduzem o nosso compromisso e valores em práticas consistentes e responsáveis. E está, também, em assegurar uma comunicação aberta e transparente, que une o todo em torno de um propósito comum, enquanto garantimos representação ativa em fóruns estratégicos que moldam o futuro da nossa indústria. São, muitas vezes, estes “pequenos gestos”, que têm um impacto mais duradouro do que qualquer grande campanha.
E é precisamente esta vivência diária que transforma colaboradores em embaixadores genuínos da nossa marca. Porque o employer branding mais forte é aquele que não precisa de ser comunicado, é aquele que se sente. É a promessa silenciosa, mas continuamente cumprida, que gera orgulho interno, sentimento de pertença e reputação externa.
No fim de contas, qualquer organização pode investir em slogans ou anúncios inspiradores. Mas as marcas que verdadeiramente se distinguem são as que assumem os seus compromissos, transformando essas palavras em realidade, todos os dias.
Mariana Morais, Comms & Branding Manager da Sky Portugal

