A opinião de… Mao Barros, da Deeploy

A Inteligência Artificial está a redefinir o papel dos profissionais de UX/UI, deslocando o foco da execução para o pensamento estratégico. Para o responsável pela estratégia criativa da Deeploy, Mao Barros o verdadeiro valor do designer já não está apenas no que faz, mas na forma como interpreta, decide e orienta num contexto cada vez mais automatizado.

A opinião de... Mao Barros, da Deeploy

A mudança já começou e nos próximos anos irá intensificar-se. Os profissionais de UX/UI vão enfrentar uma transformação profunda que não deriva apenas da evolução tecnológica, mas da mudança estrutural do próprio papel que ocupam nas organizações. A Inteligência Artificial (IA) já não é um extra: tornou-se parte do fluxo de trabalho, capaz de gerar variantes, protótipos e estruturas de interface em segundos. O desafio, porém, não está na ferramenta, mas na capacidade humana de interpretar, decidir e orientar o processo. Resta saber qual será

Este será o verdadeiro ponto de viragem. Tarefas que antes eram consideradas essenciais começam a perder protagonismo, enquanto competências estratégicas, como análise, comunicação, pensamento crítico, leitura de dados, visão de negócio passam a definir o valor profissional. Já não se trata de apresentar a melhor solução visual, mas de explicar o raciocínio que sustenta cada decisão. É este raciocínio que as empresas, cada vez mais exigentes, vão procurar.

A profissão desloca-se também para uma dimensão híbrida, onde o designer incorpora conhecimentos de áreas como investigação, análise de comportamento, escrita de interface, motion design ou mesmo literacia técnica. Este modelo híbrido, longe de diluir a identidade profissional, reforça a sua relevância num cenário onde o design se aproxima da estratégia e se afasta da mera execução.

Ao mesmo tempo, as soft skills deixam cada vez mais de ser acessórios simpáticos para se tornarem competências nucleares. Por isso, compreender que tipo de competências humanas continuarão a diferenciar verdadeiros designers num mundo cada vez mais automatizado é o fator decisivo. A capacidade de facilitar conversas, gerar consenso, conduzir equipas através da incerteza ou dialogar com engenharia e produto será determinante. Um designer incapaz de comunicar eficazmente aquilo que cria será rapidamente ultrapassado por quem domina esta dimensão humana e colaborativa. “O designer do futuro vale menos pelo que faz e mais pelo que é capaz de pensar”.

A síntese deste movimento é clara: o valor do designer passa para um nível estratégico, onde a maturidade intelectual e a sua capacidade técnica são impulsionar o seu valor. A IA não elimina o designer; obriga-o a evoluir. Num mercado em que a rapidez aumenta e a complexidade se intensifica, apenas os profissionais que se posicionarem como pensadores estratégicos estarão preparados para 2026 e para os anos que virão.

Mao Barros, responsável pela estratégia criativa da Deeploy

Sexta-feira, 17 Abril 2026 15:25


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