A apresentação desta sessão esteve a cargo do fundador e CEO do Institute for Tomorrow que afirmou que “já não basta estar centrado no consumidor”. João Baptista recorreu à sessão da CEO do Future Today Strategy Group, Amy Webb, que defende que chegou ao fim a “era das tendências lineares”, sendo que estamos na “era das convergências”. Isto deve-se ao facto de as pessoas deixarem de ser uma plataforma para passarem a ser o resultado de vários fatores.
O orador apresentou a ideia que a Inteligência Artificial (IA) não atua como substituta da mente, mas como “parceiro colaborativo” que eleva a capacidade analítica e criativa humana. Atualmente, pergunta já não é “o que podemos eliminar?” mas “o que podemos ampliar?”. “Num mundo digitalizado, o contexto cultural, a intuição e o julgamento baseados em experiência real tornam-se os ativos mais valiosos”.
O também co-Host do podcast TomorrowCast destaca ainda a realidade em que vivemos em que está a haver um abandono do marketing de interrupção em prol de ecossistemas onde as marcas integram e cocriam autenticamente com comunidades. O mercado passou a funcionar como organismo vivo, exigindo uma adaptação contínua.
Atualmente, a definição de valor organizacional muda de “eficiência centrada no consumidor” para “sistemas que colocam o humano como infraestrutura”. Para o profissional, não se trata de reposicionar o marketing, mas redesenhar processos, métricas e estruturas com o humano como sistema operativo.
“Num mundo inundado de conteúdo sintético gerado por IA, experiências genuínas, escassas e presenciais tornam-se a mercadoria de maior valor”, diz. “O ato de pensar torna-se um exercício consciente, como ir ao ginásio, porque o ambiente digital é desenhado para o eliminar. O valor migra para o tátil, o geograficamente ancorado e a experiência humana não-falsificável”, acrescenta.
Tendo em conta as transformações que estão a acontecer, o marketing passa de comprar momentos de atenção para ganhar participação cultural contínua. Assim, o foco passa do que uma insígnia vende para o mundo que convida os consumidores a habitar.
Para concluir, João Baptista deixou a reflexão de que o ecossistema de informação que sustentou criadores e publicações nas últimas décadas não tem viabilidade num mundo onde as máquinas não consomem publicidade. Quem produz conhecimento “único, hiperlocal, original, insubstituível” tem valor. Já quem duplica o que já existe, não.
Simão Raposo

