A associação aproveita a data para destacar que a utilização de Inteligência Artificial (IA) nos estudos de mercado introduz novas exigências no setor. A presidente em representação da Marktest defende que os clientes devem ser informados sempre que estas tecnologias são utilizadas nos processos de investigação. Esperança Afonso diz que a interpretação dos dados requer “critérios claros” e consciência das eventuais limitações dos modelos. Na sua perspetiva, o mesmo princípio aplica-se à divulgação de resultados, onde o risco de “simplificação excessiva” ou “leitura enviesada” pode aumentar com a automatização.
Nos últimos três anos, o setor sofreu alterações que nem todas as organizações assimilaram. A integração de Inteligência Artificial e automação alterou o ritmo e a escala da investigação. Assim, a recolha de dados tornou-se mais rápida e a análise mais sofisticada. Paralelamente, as plataformas de research e analytics ganharam peso, com o foco a passar para a capacidade de interpretar e transformar dados em decisões.
De acordo com a ESOMAR, a indústria global de insights ultrapassou os 153 mil milhões de dólares, em 2024, havendo uma previsão de crescimento para cerca de 165 mil milhões, em 2025. Já o mercado português representa cerca de 89 milhões de euros, com crescimento estimado de 4,1 % até 2026. Além disso, ocupa a 19.ª posição na Europa e a 40.ª no mundo.
A responsável afirma que este contexto leva a que a recolha de dados seja suficiente. Na sua perspetiva, é necessário saber analisá-los, extrair insights e traduzi-los em decisões. “O que se espera é capacidade para transformar informação em estratégia”, conclui.
Simão Raposo

