Como a digitalização está a redefinir a relação entre marcas e consumidores

Num mundo cada vez mais digital, a relação entre marcas e consumidores tornou-se mais exigente e mais volátil. Para a CEO da Winicio, Catarina Byscaia, a tecnologia trouxe proximidade e personalização, mas também aceleração, dispersão e superficialidade.

Como a digitalização está a redefinir a relação entre marcas e consumidores

Somos influenciados por algoritmos e pelo excesso de informação, constantemente interrompidos e temos cada vez menos tempo. Criar ligação é um desafio, porque estamos cada vez mais ligados, mas uma ligação não é uma relação. Uma relação exige tempo, que é um recurso cada vez mais escasso.

O segredo é aceitar que a tecnologia veio para ficar e criar estratégias para ajudar os nossos clientes a serem melhores, não caindo nas armadilhas e potenciando as oportunidades.

“O digital aproxima-nos. Mas torna-nos substituíveis”. Quando não existe relação, tudo se torna substituível, é a emoção que cria valor e ligação. O preço só ganha peso quando não existe emoção. Ao contrário do que algumas pensam, o digital não é um substituto da emoção ou relação, mas pode ser um potenciador ou multiplicador. 

Num ambiente saturado, as marcas que se destacam emocionalmente são aquelas que vencem. Catarina Byscaia acredita que, quanto mais digital o mundo se torna, mais humana tem de ser a diferença.

Tecnologia com intenção: O caminho para experiências mais humanas

Nos nossos dias, os écrans e as plataformas fazem parte das rotinas diárias. Acordamos com notificações, seguimos agendas digitais, consumimos informação, relacionamo-nos, compramos e comunicamos num fluxo contínuo.

A tecnologia organiza a nossa vida, o nosso tempo e influencia as nossas decisões. Permite níveis de personalização que antes eram impossíveis e isto abre portas às marcas para se relacionarem com a vida das pessoas e acompanhá-las ao longo do dia. Mas lembra que a tecnologia é apenas uma ferramenta.

“As marcas criam experiências mais humanas quando usam a tecnologia com intenção”. As marcas conseguem usar a tecnologia quando estão presentes nos momentos certos, com propostas que fazem sentido. Quando a personalização não é apenas técnica, mas tem significado e sentido orgânico; quando a interação com as pessoas não é somente comercial e preguiçosa, mas acrescenta valor. A tecnologia é um facilitador e um acelerador. 

A base da tecnologia não pode ser somente a rapidez e a gestão de recursos.  O mais importante é a relação e a narrativa que a marca constrói com as suas comunidades, é aqui que está a diferença das marcas que têm sucesso. 

Omnicanalidade: De presença a experiência integrada

Uma marca tem de falar a uma só voz, não pode haver o mundo físico e o mundo digital. As pessoas já não sentem a separação, os canais complementam-se.

A jornada do consumidor deixou de ser linear, hoje é mais rápida, fragmentada e muitas vezes invisível. O consumidor pesquisa, compara e decide antes de interagir diretamente com a marca. A decisão acontece num “labirinto” de informação, influenciado por algoritmos, conteúdos e comunidades. A grande diferença das marcas que têm sucesso é que sabem que os consumidores online procuram preço e comodidade, mas como todas as marcas já o fazem, vai vencer aquela que conseguir gerar experiências e criar ligação como existe no presencial. 

O desafio está em garantir consistência e relevância ao longo de todo o percurso, onde estar presente não é suficiente, é preciso criar uma experiência coerente, com sentido e com uma diferenciação emocional clara.

Inteligência artificial: Eficiência máxima, exigência maior

A Inteligência Artificial (IA) vem substituir processos e acelerar outros, como em qualquer revolução, vai eliminar funções e criar novas oportunidades. E isto obriga-nos a aceitar a mudança e a elevar o nosso nível, sublinha Catarina Byscaia.

Temos de integrar, integrar, integrar, integrar para nos tornarmos mais rápidos e mais diferenciados.

A Winicio já domina as poderosas ferramentas de IA, o que nos faz mais eficientes e mais eficazes nos projetos dos nossos clientes.  Catarina Byscaia explica que nunca faz uma estratégia com IA, mas utiliza-a para a desafiar e elevá-la na conquista de melhores resultados. “A IA executa. A diferença continua a ser humana”.

Criatividade num mundo de IA

O perigo do uso excessivo da IA é ficar tudo igual, alerta Catarina Byscaia.

A IA pode aumentar a eficiência, mas não faz boa criatividade, nem boa estratégia. Para existir um verdadeiro salto de qualidade, é preciso haver um “click” – e esta responsabilidade é humana e emocional. O mundo das ideias continua a ser exigente e movido por paixão; e uma boa estratégia é lógica, mas o salto é dado com o coração. Uma boa ideia é emocional, surpreendente e estimulante. “A IA pode ajudar. Mas não consegue sentir”.

Novas gerações: Captar atenção num mundo sem pausa

O tempo é um recurso escasso e as novas gerações vivem de estímulo em estímulo, com poucas pausas cognitivas e analisam com pouca profundidade, o que torna mais difícil construir relações. O grande desafio é criar estímulos poderosos e emocionais, de forma a tornar uma marca numa experiência. “Adaptar-se não é acelerar ainda mais. É conseguir parar o tempo”.

Einstein dizia: “Coloca um dedo em algo quente e um minuto parece uma hora, mas se estás com alguém que gostes, uma hora vai parecer um minuto”. Quando falamos ao coração, criamos ligação e é essa ligação que permite às marcas entrar e permanecer na vida das pessoas, criando impacto com relevância e significado.

Para Catarina Byscaia, é na criação da relação que está a diferença.

O futuro do Marketing: Menos tecnologia, mais humanidade

Mais do que novas tecnologias, o que vai marcar o Marketing é a forma como as usamos e o quanto nos obrigam a elevar o nosso nível. A IA vai continuar a acelerar tudo e a aumentar a exigência sobre a qualidade das ideias, e a personalização será cada vez mais sofisticada, mas o desafio será não cair na automatização sem critério e emoção.

A influência continuará a fragmentar-se por múltiplos momentos e plataformas, e sabendo que a maior força não é tecnológica, é humana.

“Quanto mais tecnológico é o mundo, mais humanas têm de ser as marcas”. No fim, a diferença continua a ser humana.

Sexta-feira, 08 Maio 2026 11:11


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