Do ecrã à mesa: A receita da família Yohoshiro

Hugo e Thalita Cuan abriram, em 2020, a Yohoshiro, um espaço dedicado a produtos japoneses e coreanos localizado na Póvoa de Santa Iria. Em plena pandemia, a estratégia de divulgação passou por lives diárias e conteúdos, que acabaram por se tornar virais no TikTok e levar à expansão do negócio. Um ano depois, a plataforma passou a assumir-se como um “motor real de crescimento”. Hoje, o casal vê esta plataforma como uma ferramenta de marketing, uma fonte de rendimento e um canal “essencial” para a construção de comunidade. 

Do ecrã à mesa: A receita da família Yohoshiro

Quando em 2020, Hugo e Thalita Cuan inauguraram a Yohoshiro, na Póvoa de Santa Iria, nunca imaginaram que este seria o primeiro passo de um processo de crescimento que culminaria na abertura de um restaurante especializado em street food coreano, localizado em Entrecampos, em Lisboa. Cruzando as raízes chinesas de Hugo com o interesse comum pela cultura asiática, o projeto nasceu da vontade de partilhar não só comida, mas também histórias, referências culturais e experiências. A aposta no TikTok revelou-se determinante. O que começou de forma orgânica rapidamente evoluiu para um ativo central do negócio.

O casal revela que o primeiro impacto surgiu com um vídeo em que mostravam os produtos e a nova loja que tinham acabado de montar no Parque das Nações, em Lisboa. No dia da inauguração, muitas pessoas apareceram por causa desses conteúdos, sendo que, progressivamente, o seu impacto no digital teve um crescimento.

Atualmente, gerem duas contas com funções distintas. O perfil do restaurante foca-se no espaço, nos produtos e no acompanhamento de tendências; enquanto o perfil pessoal @thaliehugo aposta em conteúdos “mais próximos e envolventes”, atraindo novos seguidores. Na perspetiva de ambos, o segredo da ligação com o público vem da “proximidade e da transparência”. “Mostramos o nosso dia a dia, os desafios, os bastidores, e a vida enquanto casal e família. Não é apenas sobre comida, é sobre pessoas, esforço, conquistas e momentos reais”, dizem.

Esta rede social não serve apenas de autopromoção, afirmando-se também como uma plataforma de partilha que dá visibilidade a outros pequenos negócios. A inspiração surgiu da série coreana “Itaewon Class”, que transmite a ideia de que, ao atrair mais pessoas para uma zona, todos beneficiam. “Quando partilhamos outros espaços, não estamos a perder clientes, estamos a contribuir para um ecossistema mais forte”, sublinham.

Ao fazer um balanço deste percurso, que já acumula mais de 160 mil seguidores, afirmam que empreender na era digital vai muito além de ter um bom produto: exige saber comunicar, criar relações e adaptar-se rapidamente. Isto passa por saber comunicar, criar relações e adaptar-se rapidamente. Quando desafiados a aconselhar outros empreendedores que pretendem crescer no universo digital, defendem que as redes sociais devem ser encaradas como uma extensão do negócio, e não como uma ferramenta secundária. “Não esperem perfeição para começar e não tentem copiar outros. É importante perceber o que funciona, mas adaptar sempre à própria identidade”, rematam.

Simão Raposo

Quinta-feira, 18 Junho 2026 10:04


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