Briefing | Assumiu há um ano a direção-geral da ConsumerChoice. Que balanço faz deste primeiro ano e quais os principais marcos?
Nassrin Majid | Faço um balanço muito positivo, não apenas pelos resultados alcançados, mas sobretudo pela transformação que iniciámos.
A ConsumerChoice sempre foi uma referência nos sistemas de avaliação de marcas e consumidores, e esse continuará a ser o nosso principal ativo. O nosso compromisso foi reforçar essa liderança e, ao mesmo tempo, preparar a empresa para responder aos novos desafios do mercado.
Ao longo deste último ano acelerámos a digitalização de processos, reforçámos a nossa capacidade de investigação, aproximámos equipas e investimos numa cultura mais colaborativa e orientada para a inovação. Paralelamente, intensificámos as relações com parceiros estratégicos, universidades, associações e empresas, porque acreditamos que o conhecimento se constrói em rede e que é através destas parcerias que conseguimos gerar maior impacto para o mercado.
Um dos passos mais relevantes foi transformar o conhecimento acumulado ao longo de mais de uma década a avaliar milhares de marcas e consumidores em novas soluções de consumer insights e inteligência de mercado. Hoje não ajudamos apenas as marcas a compreender como são percecionadas, ajudamo-las a decidir melhor.
Acima de tudo, este primeiro ano confirmou-me uma convicção: as empresas crescem quando conseguem alinhar estratégia, inovação e pessoas em torno de uma visão comum.
A organização entra numa nova fase acionista, com o grupo alemão CGG a reforçar a sua posição. Como é que este novo capítulo está a moldar a sua liderança?
Vejo esta nova etapa como uma oportunidade para acelerar uma visão que já vínhamos a construir. A integração no grupo CGG permite-nos ganhar uma dimensão internacional, partilhar conhecimento entre mercados, incorporar novas metodologias e potenciar a inovação, mantendo aquilo que sempre nos distinguiu: a proximidade às marcas e a capacidade de compreender o consumidor português.
Enquanto diretora-geral, encaro esta nova fase com um forte sentido de responsabilidade. Liderar, para mim, não significa apenas definir uma estratégia, significa criar condições para que as pessoas cresçam, fomentar relações de confiança e construir uma organização preparada para evoluir continuamente.
Acredito muito na força das equipas e das parcerias. O crescimento sustentável faz-se através de relações sólidas, dentro e fora da organização, e esse continuará a ser um dos pilares da nossa forma de trabalhar.
Mais do que uma mudança acionista, esta é uma oportunidade para reforçarmos a ambição da ConsumerChoice e consolidarmos o seu posicionamento como uma referência europeia na área da decisão baseada no consumidor.
A empresa tem vindo a reforçar a aposta em estudos de mercado e consumer insights. O que motivou este reposicionamento?
Na realidade, não lhe chamaria um reposicionamento, mas uma evolução natural. Ao longo de mais de uma década, a ConsumerChoice construiu uma relação única com os consumidores através dos seus sistemas de avaliação. Essa experiência permitiu-nos acumular um conhecimento muito profundo sobre comportamentos, expectativas e critérios de decisão. Percebemos que esse conhecimento podia gerar ainda mais valor para as marcas.
Hoje, o maior desafio das empresas já não é recolher dados. É conseguir interpretá-los e transformá-los em decisões estratégicas. É precisamente nesse espaço que queremos afirmar-nos.
Continuamos a liderar os sistemas de avaliação, mas hoje complementamos essa liderança com estudos de mercado, consumer insights e soluções de inteligência de decisão que ajudam as empresas a desenvolver produtos, validar conceitos, testar campanhas, compreender tendências e reduzir o risco das suas decisões.
Costumo dizer que os dados mostram o que aconteceu. A compreensão humana explica porquê. E são essas motivações que ajudam as marcas a construir estratégias mais relevantes e relações mais fortes com os seus consumidores.
O ConsumerChoice Experience já é utilizado por várias marcas para testes presenciais, focus groups e estudos de comportamento do consumidor. Como surgiu este projeto e que tipo de decisões tem ajudado a informar?
Ao longo dos últimos anos percebemos que as marcas já não procuram apenas respostas, procuram confiança para decidir. Num mercado cada vez mais competitivo, compreender verdadeiramente o consumidor antes de lançar um produto, reposicionar uma marca ou desenvolver uma campanha tornou-se uma vantagem estratégica.
Foi com essa visão que criámos o ConsumerChoice Experience. A nossa metodologia assenta em investigação qualitativa presencial, combinando entrevistas em profundidade com a observação direta do comportamento dos consumidores enquanto experimentam, avaliam ou interagem com produtos, embalagens, serviços, conceitos ou campanhas de comunicação. Acreditamos que é muitas vezes naquilo que as pessoas fazem, e não apenas no que dizem, que se encontram os insights mais relevantes para as marcas.
Mas a inovação não termina na forma como conduzimos os estudos. Acreditamos que o verdadeiro valor da investigação está na forma como o conhecimento é entregue e utilizado pelas empresas. Por isso, temos vindo a desenvolver uma experiência cada vez mais rica, visual e prática, transformando os resultados em relatórios mais intuitivos, dinâmicos e orientados para a tomada de decisão, para que os nossos clientes consigam identificar rapidamente os principais insights, oportunidades e recomendações.
O ConsumerChoice Experience representa, assim, uma nova geração de estudos de mercado: mais próxima das pessoas, mais imersiva e mais orientada para a ação. Porque o nosso objetivo não é apenas produzir informação, mas ajudar as marcas a transformar conhecimento em melhores decisões.
Olhando para o futuro, quais as prioridades definidas para o curto e médio prazo?
O futuro da ConsumerChoice passa por consolidar um posicionamento muito claro, continuar a liderar os sistemas de avaliação em Portugal e afirmarmo-nos, cada vez mais, como um parceiro estratégico de conhecimento para as marcas, transformando a voz do consumidor em inteligência que apoia decisões de negócio.
A integração no grupo CGG representa uma oportunidade única para acelerar essa ambição. A partilha de conhecimento, a colaboração entre mercados e as sinergias que estamos a construir permitir-nos-ão desenvolver metodologias cada vez mais inovadoras, ampliar a nossa presença internacional e criar ainda mais valor para os nossos clientes, sem perder aquilo que nos distingue: a proximidade ao mercado português e a capacidade de compreender profundamente os seus consumidores.
Mas acredito que nenhuma estratégia é verdadeiramente bem-sucedida sem pessoas comprometidas com ela. Enquanto Diretora-Geral, tenho uma prioridade muito clara: continuar a investir nas nossas pessoas, no seu desenvolvimento, no seu bem-estar e na construção de uma cultura de confiança, responsabilidade e colaboração. Estou profundamente convicta de que equipas motivadas, desafiadas e alinhadas com um propósito comum são a base de qualquer organização que queira crescer de forma consistente.
Tenho objetivos ambiciosos para a ConsumerChoice e acredito que os vamos alcançar. Mas quero fazê-lo de uma forma em que o crescimento da empresa caminhe sempre lado a lado com o crescimento das pessoas. Porque os resultados são fundamentais, mas são sempre consequência da cultura que conseguimos construir e das relações que cultivamos todos os dias.
No final, é essa a marca da liderança que procuro exercer, uma liderança exigente, próxima e orientada para o futuro, onde a inovação, a confiança e as pessoas deixam de ser prioridades distintas para passarem a fazer parte da mesma visão.
Simão Raposo

