Briefing | Qual o papel que, no vosso entender, a música deve desempenhar a esse nível, isto é, na estratégia de comunicação das marcas?
Nuno Saraiva | A música desempenha um papel fulcral na maioria dos spots publicitários. Assim, deve fazer parte dos planos criativos de qualquer marca, não deve ser nunca deixada para último plano, última hora, ou “esquecida” no orçamento. Quanto mais cedo uma agência de comunicação pensar a música, melhor para a marca. Muitas vezes no estrangeiro os music supervisors são convidados para as reuniões criativas antes até da entrada da produtora no projeto. Outras vezes, a produtora contrata music supervisors que integram a sua equipa, assegurando que a marca e agência sabem à priori que a música não será descurada. Os supervisores musicais não só aumentam a qualidade musical de um projeto, como, frequentemente, poupam dinheiro ao cliente final e salvaguardam as boas práticas no licenciamento. Muitas vezes, a música é a primeira coisa que uma pessoa, um potencial cliente da marca, recorda de um anúncio. A estratégia de comunicação deve reconhecer essa importância capital da música, assegurando que é bem pensada desde o início e não deixada ao acaso nas mãos de uma produtora ou de um editor, por exemplo.
Em que medida é diferenciadora, isto é, em que medida contribui para a eficácia de um filme de televisão e/ou digital ou de um spot de rádio?
Quanto mais original e memorável for a música, mais diferenciadora será. A música tem o potencial, exponencialmente maior, de diferenciar o produto e a eficácia de um filme ou spot, quanto maior for a sua originalidade, daí a nossa crítica ao fácil recurso à música de biblioteca. Há que trabalhar a qualidade musical de cada projeto, a sua singularidade, se pretendemos obter spots ou filmes de qualidade.
Diria que esse potencial é reconhecido pelo mercado?
Pois… muitas vezes não é. Seja por conveniência, orçamento ou timing, o mercado cai na tendência de “resolver” a questão da música sem muito conhecimento de campo. Acredito que muita gente não saiba, por exemplo, a diferença entre os direitos da gravação, ou “Master”, e os direitos autorais, ou “Publishing”. São conceitos da indústria da música que não entram frequentemente no vocábulo de quem a precisa de licenciar corretamente. E depois existem as restrições orçamentais e temporais, o que não ajuda a concretizar esse potencial. Seriam precisos muitos mais publishers no mercado, mais proativos, para dar as boas notícias a mais gente: não é difícil conseguir licenciar boa música, de qualidade, rapidamente e seja com que orçamento for. O que é preciso é saber como e através de quem.
Como é que a Lusitanian se propõe mudar este cenário?
Respondemos rapidamente a qualquer briefing, com qualquer orçamento pré-estabelecido, dentro dos vários catálogos, nacionais e internacionais, que representamos exclusivamente. Estamos a falar dos nossos próprios autores e compositores, muitos deles com Masters pré-autorizados ao licenciamento o que torna a música “one-stop”: não é preciso falar com mais ninguém, só connosco.
Depois, se por acaso não sentirmos que temos a música certa para o projeto, afirmamos essa opinião profissional. Propomos os nossos serviços de supervisão musical: encontramos a música certa e gravação certa, seja de que titular de direitos for, independente ou major, e tratamos de todo o processo de negociação e licenciamento, integrando a equipa criativa ou de produção do projeto. Participamos de forma proactiva em várias redes profissionais internacionais, a IMPALA (European Music Companies Association), WIN (World Independent Network), IMPF (Independent Music Publishers Forum) e outras. Estamos presentes nas maiores e mais importantes feiras de música ano após ano, de forma a estabelecer cada vez mais contactos, para potenciar e elevar a qualidade de qualquer projeto.
De que modo se articula com as agências e as produtoras, que são quem, afinal, é responsável por passar a mensagem das marcas?
Apresentamos os nossos catálogos e serviços para que todos possam recorrer tanto à nossa música como aos nossos serviços de supervisão ou produção musical. Temos trabalhado mais com produtoras do que agências, uma situação que gostaríamos de melhorar, para benefício comum de todos dentro do setor. Assim sendo, este ano estamos a desenvolver, em parceria com o CCP, uma série de workshops sobre a supervisão musical com vários publishers e supervisors internacionais. Também somos cofundadores de um projeto europeu, chamado Europe in Synch, que visa aproximar as indústrias da música e publicidade. Participamos ainda no melhor encontro profissional do mundo da música em Portugal, o Westway LAB, em abril, onde nos cruzamos com supervisores musicais internacionais freelancers, mas também de grandes agências como a JWT, McCann e outros.


