Cresci a ver a comunicação como algo linear, mas a minha geração mostrou-me outra coisa: tudo é identidade, reação e posicionamento — e as marcas fazem parte disso. Vivemos rodeados delas: as polidas, as de nicho, as atrevidas, as que tentam acompanhar tendências e as que ainda não perceberam que já não falam para consumidores passivos.
As redes sociais tornaram-se o palco onde esta relação acontece. É lá que mostramos quem somos, encontramos oportunidades e decidimos que marcas merecem o nosso tempo. Mas essa presença constante também cansa. A corrida para ser relevante, viral e “relacionável” cria pressão tanto para nós como para as marcas. E a Geração Z sente isso: queremos autenticidade, não performance.
Muitas marcas vivem presas ao medo. Medo de ofender, de não agradar, de escolher um lado. Repensam, reavaliam, recalculam até a mensagem perder personalidade. Criam campanhas tão neutras que parecem escritas para ninguém. E, ainda assim, tentam parecer progressistas sem realmente o serem — não queremos causas decorativas, queremos compromisso e coerência. Não queremos marcas perfeitas e polidas, queremos ver as falhas, as tentativas, os erros que mostram que há gente real do outro lado.
É por isso que o CTRL Z faz tanto sentido para nós. Vivemos a testar, desfazer, refazer, reposicionar. Percebemos cedo que voltar atrás não é perder tempo: é chegar mais perto da verdade. E exigimos o mesmo das marcas. Que assumam erros, que mostrem o processo, que aprendam em público. O “undo” não é fraqueza, é maturidade.
No fim, seguimos marcas que não têm medo de recomeçar até fazer sentido. Marcas que nos deixam participar desse processo, que criam comunidade, que conversam connosco e não sobre nós. Se não nos representam, desfazemos. Se não nos escutam, saímos. Vivemos no CTRL Z porque sabemos que o futuro se constrói assim: revendo, apagando, recomeçando.
Beatriz Dias, designer gráfica

