Para a especialista, a tecnologia não substitui o olhar criativo: “Precisamos de alguém com intuição e experiência vivida do mundo real. A IA apenas amplia a criatividade que bons profissionais já têm, criando mais espaço para exploração ao atribuir tarefas repetitivas às máquinas”. Asli Simsek dá o exemplo do seu próprio trabalho: engenheira de formação, conseguiu com a IA desenvolver capacidades de expressão visual avançadas que facilitam a comunicação de ideias e o posicionamento da marca. Além disso, a IA permite ligar conceitos antes aparentemente desconectados, do ritual indígena ao design escandinavo, abrindo novas oportunidades para brincar e experimentar.
Apesar da eficiência tecnológica, a criatividade humana mantém-se como valor central. Segundo a fundadora da Higher Narrative, embora a IA consiga gerar ideias e conteúdos em grande escala, “não se espera que a eficiência da tecnologia crie narrativas duradouras. Modelos de linguagem operam com base no pensamento médio, e isso não é o que a criatividade exige”. A especialista lembra que os seres humanos têm necessidades profundas que ultrapassam tempo, cultura ou intelecto, e é nessa dimensão que a criatividade continua a ser insubstituível.
Quanto à autenticidade das marcas, Asli Simsek identifica desafios e oportunidades. Uma parte da população já reage negativamente a conteúdos gerados por máquinas, reforçando que “a autenticidade humana continuará a ser uma moeda valiosa”. Por outro lado, novas tecnologias, como robôs humanoides e biotecnologias, podem transformar a forma como sentimos e interagimos, levando a que a perceção de autenticidade evolua ou até se torne menos relevante, com impactos diretos na relação das marcas com os consumidores.
O Congresso Nacional de Marketing, promovido pela APPM – Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing, está de volta nos dias 21 e 22 de janeiro, ao Porto e a Lisboa, respetivamente. Subordinado ao tema “Deus Ex Machina”, esta edição coloca no centro a relação entre tecnologia e humanidade, abordando o impacto da IA, da automação e dos novos modelos de decisão no trabalho diário dos profissionais e na forma como as marcas se relacionam com pessoas, mercados e sociedades.
Carolina Neves

