Durante muitos anos, no marketing digital, partiu-se de uma ideia simples: se alguém clicava, alguma coisa tinha funcionado. Se ninguém clicava, provavelmente nada tinha acontecido.
O clique aparecia no relatório e parecia explicar tudo. As pessoas viam, clicavam e compravam.
Só que o clique nunca foi a persuasão. Foi apenas a parte visível dela.
Antes dele, já tinham acontecido várias coisas invisíveis. A marca tinha sido vista, reconhecida, comparada, talvez recomendada, talvez guardada na memória. O clique era só a parte do processo que o analytics conseguia ver.
O que está a mudar agora não é a existência dessa influência. É a facilidade com que a conseguimos medir.
As pessoas continuam a descobrir marcas. Continuam a formar opiniões. Continuam a ganhar confiança, mas uma parte dessa descoberta já não obriga a visitar o site naquele momento.
Uma pessoa pode ver uma marca mencionada num post, reencontrá-la numa resposta do ChatGPT, ouvi-la num podcast, vê-la num vídeo no YouTube ou encontrá-la recomendada num Reddit. E só muito mais tarde, quando já está pronta para agir, é que pesquisa o nome da marca ou entra diretamente no site.
Nessa altura, o analytics vê uma visita, mas não vê a história.
É isso que o zero click marketing realmente está a mudar.
Zero click não significa zero vendas. Significa apenas que uma parte crescente da influência acontece antes do clique, ou sem clique imediato. E isso torna o trabalho do marketing, e também do SEO, mais difícil de medir.
A influência raramente nasce num único momento. Vai-se acumulando. Ver um resultado, reconhecer um nome, reencontrá-lo noutro contexto, ganhar familiaridade antes da visita. O valor não aparece de repente. Constrói-se em pequenos contactos.
E essa construção começa muitas vezes antes do site. Num ambiente em que algoritmos e pessoas tentam perceber quem é confiável, sinais como consistência da informação, reputação online e autoridade temática tornam-se mais importantes. O domínio entra aqui mais cedo do que parece. Já não é apenas um detalhe técnico. É um dos primeiros sinais visíveis da marca, uma espécie de atalho mental que ajuda a responder a perguntas como: isto parece profissional? É coerente? É credível?
Na SEO Conference, é precisamente sobre esta mudança que vale a pena refletir. O clique ainda pode fechar a jornada, mas já não é onde ela começa.
Tiago Ribeiro, especialista em Marketing Digital no .PT

