
O ano de 2024 traz consigo a imprevisibilidade do que ainda está por vir. Num mundo em profunda transformação, o marketing nas empresas, e no setor imobiliário, em particular, terá de se mostrar ágil, resiliente, flexível e verdadeiramente empático.
Na sequência de uma pandemia global, o mundo é confrontado com um conflito em plena Europa e, mais recentemente, no Médio Oriente, acontecimentos que repercutem fortes impactos na atividade política e económica global, e que deixam profundas marcas na sociedade. Este ano inicia-se com indefinição, mas, simultaneamente, com a esperança de momentos melhores, à medida que nos vamos adaptando progressivamente à certeza da incerteza.
Neste contexto, tal como em tantos outros, nunca foi tão importante que as marcas se posicionassem de uma forma próxima, genuína e empática. À medida que as preferências de consumo se transformam, é hoje exigido a todos os setores económicos a capacidade de se adaptarem rapidamente às mudanças e de se tornarem mais resilientes, flexíveis e mais empáticos do que nunca.
No setor imobiliário, vivemos ainda uma grave crise habitacional, onde a procura transcende largamente a oferta e o acesso à habitação se encontra também fortemente dificultado pelo aumento das taxas de juro, pela dificuldade no acesso ao crédito e pela inflação. Em 2023, o número de transações imobiliárias reduziu cerca de 20% face a 2022, e este ano espera-se que a tendência seja de estabilização dos preços, ainda que sem alterações muito significativas.
Mas também aqui, como em todos os outros setores económicos, a tecnologia tem desempenhado um papel fundamental: num mercado que perde algum dinamismo e num contexto global de grande incerteza, os consultores imobiliários dispõem hoje de ferramentas que lhes permitem chegar seus clientes de uma forma muito mais direcionada, segmentada e eficaz, respondendo às suas verdadeiras necessidades, e conectando com muito maior precisão e rapidez as especificidades tanto de compradores como de vendedores.
A tecnologia há muito que tem vindo a revolucionar a forma como se compram e vendem casas, levando os negócios imobiliários para a esfera global e beneficiando todos os intervenientes da cadeia de valor. Além de possibilitarem a criação de modelos de negócio inovadores, as novas tecnologias têm permitido aumentar a eficiência e mesmo a sustentabilidade dos processos de compra e venda, e a aproximar virtualmente pessoas de imóveis fisicamente distantes.
Essa crescente facilidade de acesso e diversidade de canais, ferramentas e agentes na esfera digital conduz, por sua vez, à necessidade de responder com crescente rapidez e eficiência às exigências de vendedores e compradores. E é nesse sentido que, ao longo de 2024, a tecnologia estará orientada: para ajudar os consultores, o eixo humano que conduz todo o processo, a responder com cada vez mais agilidade e rapidez a necessidades complexas, criando estabilidade num mundo em crescente transformação, em particular na concretização de projetos tão vitais como o nosso negócio ou a nossa casa.
– Inteligência artificial e automação
O futuro é hoje, e a rápida disseminação e avanço da inteligência artificial são a prova disso. Capazes de aprender a linguagem de forma contextual, com a compreensão da intenção, as máquinas podem agora gerar rapidamente conteúdos criativos.
No setor imobiliário, a sua aplicação vai desde o home staging virtual, permitindo a compradores visualizar e interagir com a sua futura casa totalmente mobilada, à criação de conteúdo, à facilidade na análise de dados, à criação de campanhas de marketing altamente personalizadas, gerando taxas de conversão mais elevadas. Ainda no âmbito da inteligência artificial, continuam a destacar-se os chatbots, que têm como objetivo otimizar a experiência dos clientes, e a automação de tarefas como e-mails ou posts para as redes sociais, deixando os consultores livres para o que mais importa: a construção de relações próximas, genuínas e de valor com os seus clientes.
– Social media e influencers
As redes sociais e o marketing de influência assumem-se decisivos na criação de relações de confiança com clientes, devendo ser fomentados através de conteúdos de valor. O marketing de conteúdo assume também aqui um papel decisivo, através de uma ênfase ainda maior na qualidade dos conteúdos informativos, mais concretamente em vídeo (ex.: virtual tours, não só do imóvel como da zona envolvente; conteúdos de SEO locais…).
Os consultores devem construir a sua presença online de forma intencional e segmentada, com foco na qualidade dos seus conteúdos e no valor das suas mensagens para a audiência a que se dirigem, transmitindo conhecimento especializado e associando-se a outros perfis complementares, que ajudem a construir e a solidificar a sua autoridade e a ampliar o seu alcance.
Em todo o caso, importa termos presente que os utilizadores cada vez mais se vão apercebendo do seu valor comercial para as plataformas, pelo que é natural que resulte numa maior prudência na utilização destes canais, como de resto indica o relatório Think Forward 2024 partilhado pela We Are Social.
– Áudio em ascensão
Durante muitos anos, o áudio esteve fortemente associado à rádio sendo que, nos dias de hoje, assistimos a uma incorporação cada vez mais sólida também no meio digital. Com o crescimento exponencial de podcasts, streamings de música e consumo de rádio online, as marcas estão cada vez mais empenhadas em criar conteúdo para áudio, bem como experiências sonoras envolventes e imersivas.
Por outro lado, sabendo que a forma como falamos não é igual à forma como escrevemos, a Voice Search Optimization começa também a ganhar cada vez mais relevo, reforçando a importância da otimização dos websites e do conteúdo online para melhorar a classificação dos resultados na pesquisa por voz, cada vez mais comum com questões que colocamos à Siri, à Alexa, ao Google ou ao Youtube, por exemplo.
– Sustentabilidade
A sustentabilidade já é parte integrante dos critérios de consumo, movida pela crescente consciencialização das gerações mais novas para a emergência climática. Nesse sentido, também no setor imobiliário se tem observado uma crescente preocupação com o desempenho energético e ambiental das habitações, com conteúdos e imóveis que se assumam como energeticamente eficientes, que incorporem materiais, energias e técnicas de construção sustentáveis e que possuam tecnologia inteligente (IoT) amiga do ambiente a assumirem uma vantagem competitiva no mercado. Também a crescente digitalização do setor contribui positivamente para a sua descarbonização.
Num mundo pautado por transformações na forma como vivemos, consumimos e nos conectamos, a tecnologia é colocada ao serviço da experiência humana, criando pontes, agilizando processos e apoiando decisões para que, offline, tenhamos mais tempo e oportunidades para usufruirmos dos nossos espaços e para nos conectarmos de forma próxima e empática, criando juntos a estabilidade de que o mundo tanto precisa.
Carolina Sousa, Head of Marketing & Communication da iad Portugal

