Poucas áreas serão tão impactadas nos próximos anos pela Inteligência Artificial (IA) como serão algumas das disciplinas do marketing. Isto porque a IA generativa permite, através da automatização, juntar a rapidez e a personalização. A IA supre facilmente ambas, tanto em tarefas de produção de conteúdos como no despoletar de campanhas automáticas (ex.: fluxos de e-mail marketing), totalmente personalizadas, segmentadas e para diferentes geografias e em diferentes línguas.
Ao proporcionar um contacto personalizado com cada consumidor, a IA melhora drasticamente a experiência de cliente. Com a mimetização de qualidades humanas como a empatia e a espontaneidade, contribui ainda mais para a conversão e retenção de clientes. Além disso, permite estudar os interesses e comportamentos do consumidor, criando targets aprimorados ― obtidos a partir de dados não-estruturados, mas que possibilitam um conhecimento profundo do mercado a cada momento.
Os grandes desafios da IA residem, sobretudo, no seu modelo operacional, que utiliza os dados públicos. Mas… De que maneira é possível gerir o (ab)uso de propriedade intelectual, prevenir casos de plágio ou mesmo impedir a manipulação de ideias decorrente das limitações da informação disponível? Por outro lado, a quem fica reservada a capacidade de criação e inovação?
Um relatório da McKinsey afirma que implementar IA generativa pode aumentar a produtividade do marketing num valor entre 5 e 15 por cento do seu atual orçamento. Porque a IA pode absorver tarefas lógicas, mecânicas, e que exijam capacidades exponenciais de sistematização, o que pode até emular a criatividade humana. Contudo, a estratégia e o sentido crítico que se reservam ao ser humano não são replicáveis. Como sempre, é a criatividade humana que se revela essencial ― e é a IA que deve estar ao serviço dela.
Jorge Ferreira, diretor de Marketing da Konica Minolta

