A opinião de… Lúcia Pereira, da Adecco Portugal

Num mercado de trabalho em rápida transformação, a comunicação assume um papel central. A diretora de Marketing & Comunicação da Adecco Portugal defende que comunicar deixou de ser apenas transmitir mensagens: é hoje um diferenciador estratégico de confiança, alinhamento e atração de talento.

A opinião de... Lúcia Pereira, da Adecco Portugal

Vivemos um momento de inflexão no mercado de trabalho. A transformação tecnológica, a aceleração da inteligência artificial, a descentralização do trabalho, e as exigências sociais em torno da diversidade e inclusão estão a reconfigurar as expectativas dos trabalhadores, dos líderes e das empresas. Neste contexto, a comunicação deixou de ser apenas um canal de transmissão, tornou-se um eixo estratégico de confiança, alinhamento e diferenciação.

Num mundo saturado de informação, comunicar com clareza e intenção é mais do que uma vantagem competitiva, é um fator de sobrevivência. O relatório “Global Workforce of the Future 2024” mostra que 58 % dos trabalhadores temem que as suas competências deixem de ser relevantes nos próximos anos. Este dado revela mais do que uma preocupação com o futuro: evidencia a urgência de uma comunicação que informe, tranquilize, oriente e inspire.

Comunicar bem é cuidar das pessoas. E, num mercado onde o talento escasseia e os níveis de motivação e engagement estão em queda, colocar as pessoas no centro das mensagens é um imperativo de liderança. O tempo da comunicação corporativa distante, institucionalizada e indiferenciada ficou para trás. Hoje, os colaboradores e os candidatos procuram vozes que saibam ouvir, que transmitam propósito com clareza, e que comuniquem com verdade e proximidade.

A comunicação humanizada começa dentro das organizações. Um estudo da McKinsey revelou que empresas com equipas mais bem informadas e alinhadas internamente registam ganhos de produtividade entre os 20 e 25 %. Isto não se alcança com mais e-mails ou campanhas internas. Constrói-se com cultura, escuta ativa e segurança psicológica. O exemplo vem de cima, mas a responsabilidade é de todos.

É também nesta ligação entre a comunicação interna e externa que reside o verdadeiro poder estratégico da comunicação no mercado de trabalho. Se queremos atrair talento com valores, precisamos de ser coerentes na forma como comunicamos com quem já está dentro de portas. Se queremos ser líderes de mercado, temos de comunicar com transparência as nossas práticas, não apenas os nossos produtos. A reputação constrói-se nos bastidores e amplifica-se no mercado.

Por outro lado, num tempo em que a confiança é um ativo escasso, as marcas empregadoras que constroem mensagens consistentes, inclusivas e autênticas são aquelas que conseguem destacar-se. Já não basta comunicar “o que fazemos” é essencial comunicar “por que o fazemos” e “para quem o fazemos”. E isto aplica-se tanto às grandes multinacionais como às PME locais.

A comunicação é, acima de tudo, um exercício de responsabilidade. Cada palavra, cada silêncio, cada canal escolhido carrega uma intenção. E no contexto atual, onde o mercado de trabalho é também palco de transformações sociais profundas, comunicar com responsabilidade é comunicar com visão de futuro.

Em última instância, a comunicação estratégica no mercado de trabalho não se mede apenas em indicadores. Mede-se em confiança gerada, talento fidelizado, cultura fortalecida e impacto humano.

E é precisamente aí que reside o verdadeiro diferencial.

Lúcia Pereira, diretora de Marketing & Comunicação da Adecco Portugal

Terça-feira, 04 Novembro 2025 12:21


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