A opinião de… Rafael Almeida, da NOS e do IPAM

O SEO já não é apenas um detalhe técnico, mas sim uma alavanca estratégica de crescimento. Para o Head of SEO da NOS & docente no IPAM Porto, Rafael Almeida, se, neste contexto em que a inteligência artificial gera respostas antes do clique, a sua marca não aparece na resposta, então é invisível – e os CEO precisam de saber disso.

A opinião de... Rafael Almeida, da NOS e do IPAM

Porque é que tantos CEO continuam a tratar o SEO como um detalhe técnico, quando o SEO está no centro da descoberta digital?

Durante anos, SEO foi visto como uma função de bastidores: trabalhar palavras-chave, afinar meta‑descrições e procurar backlinks. Tudo válido. Mas, em 2025, já não basta. Hoje, é também sobre garantir que a marca aparece nas respostas geradas por Inteligência Artificial (IA)

Com o avanço da IA, os motores de pesquisa já não se limitam apenas a mostrar links e os Large Language Models (LLM), como o ChatGPT, o Gemini ou o Perplexity, dão respostas completas, recomendam produtos e até citam marcas. Isso significa que o utilizador pode formar opinião e tomar decisões sem visitar um único site.

Fazer SEO hoje implica otimizar para que a marca seja reconhecida como fonte credível por esses modelos, o que exige autoridade externa validada, conteúdo estruturado para ser facilmente interpretado e presença consistente fora do próprio website. Para os CEO, mais do que uma questão técnica, isto é uma prioridade estratégica.

O peso de SEO no seu negócio

SEO é uma das ferramentas mais eficientes para gerar crescimento e autoridade. Eis alguns dados que ilustram isso de forma clara:

– Mais de 53 % do tráfego de um website médio vem de pesquisa orgânica (BrightEdge)

– O SEO gera até 1000 % mais tráfego do que redes sociais (HubSpot)

– E o mais importante: leads vindos de SEO têm uma taxa de conversão até oito vezes superior a outros canais (Search Engine Journal)

– Além disso, empresas com forte presença orgânica são percecionadas como mais confiáveis por 75 % dos consumidores (Edelman Trust Barometer)

Ou seja, o SEO deixa de ser somente uma questão de visibilidade, para passar a ser uma questão de vendas, confiança e influência digital. E nesta nova tendência emergente, em que a pesquisa é cada vez mais feita por IA, com respostas geradas diretamente nas SERP, o verdadeiro desafio é fazer parte da resposta.

De canal de aquisição a motor de crescimento

O SEO passou a ser um sistema integrado de crescimento digital e as empresas mais competitivas já perceberam que o SEO não é exclusivamente para atrair visitantes. Serve, também, para alimentar decisões em produtos, comunicação, vendas e customer success.

– No produto, revela o que o mercado procura, com dados reais e não com suposições

– Na comunicação, orienta a criação de conteúdos relevantes, que resolvem problemas e reforçam a presença da marca nas respostas que os utilizadores encontram

– Nas vendas, atrai leads com intenção e não apenas visitantes aleatórios. São pessoas com dores identificadas e urgência real

– No customer success, reforça a experiência do cliente através de conteúdos que antecipam dúvidas e minimizam a necessidade de suporte

SEO vive em cada descrição de produto, em cada vídeo, em cada resposta que a marca dá e, agora, até em respostas que a marca nem controla, como os resumos por IA. É aí que começa (ou termina) a visibilidade. Quem percebe isto constrói presença. Quem não percebe, perde espaço e nem sempre se dá conta.

Visibilidade é sobrevivência. E é por isso que os CEO devem prestar atenção

A lógica é simples. Se a marca não aparece, não é considerada. E a visibilidade digital não depende apenas de investimento em anúncios. Depende da capacidade de estar presente nas respostas que os utilizadores recebem de forma orgânica, imediata e credível.

Por isso, a ausência nos resultados de pesquisa não é um problema técnico, mas uma falha estratégica. O SEO tem impacto direto em áreas críticas do negócio:

– Branding: aparecer nos resultados transmite autoridade e as marcas que surgem com frequência são tidas como líderes

– Recrutamento: candidatos qualificados pesquisam. E escolhem empresas com presença visível e reputação digital

– Aquisição de clientes: leads vindos de SEO tendem a ser mais qualificados e com custos de aquisição mais baixos

Perceção externa: o mercado associa presença orgânica consistente a relevância e solidez

Ignorar SEO é permitir que os concorrentes ocupem o espaço onde as decisões começam. E esse espaço, uma vez perdido, é difícil de recuperar.

O SEO na linguagem que um CEO entende

É aqui que a conversa precisa de mudar. Durante anos, o SEO falou uma língua própria: backlinks, meta tags, canonical URL, etc.. Mas o C-level não investe com base em detalhes técnicos. Investe com base em retorno, eficiência e liderança de mercado.

É preciso traduzir o impacto do SEO em indicadores que ressoam nas salas de direção:

– Quota de mercado digital: quanto da procura online do setor está a ser captada pela marca?

– Eficiência de investimento: o custo por lead em SEO é, em média, muito inferior ao do paid media e o efeito prolonga-se no tempo

– Efeito cumulativo: ao contrário da publicidade paga, o SEO constrói um ativo digital. Quanto mais se investe, mais retorno se acumula. É o compounding effect da visibilidade

– Força da marca: aparecer repetidamente em respostas orgânicas reforça familiaridade e confiança, mesmo sem cliques

No fundo, SEO é um jogo de longo prazo que influencia o presente. É uma alavanca estratégica para crescimento, diferenciação e autoridade, e deve ser tratado como tal.

Nos moldes emergentes, onde a pesquisa se torna conversacional, onde a IA gera respostas antes do clique e onde o tráfego direto dá lugar à citação confiável, o critério de sucesso não é o clique, é a presença.

Portanto, um utilizador faz uma pergunta. A IA responde. A marca está nessa resposta? Se não estiver, então já está a perder mercado antes mesmo de entrar na competição.

Rafael Almeida, Head of SEO da NOS & docente no IPAM Porto

Terça-feira, 16 Setembro 2025 09:34


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