Como está o poder de compra em Portugal? Este estudo revela

Cerca de 50 % dos portugueses afirmam ter perdido poder de compra no último ano. Esta é uma das revelações do estudo Purchasing Power 2025, divulgado pela Havas Media Network, que mostra ainda que, apesar desta situação, os consumidores nacionais recusam-se a cortar despesas em bens essenciais como a alimentação a saúde e a habitação.

Como está o poder de compra em Portugal? Este estudo revela

De acordo com o relatório, este padrão de prudência, que é superior ao observado na generalidade dos mercados estudados, surge de forma ainda mais vincada na relação dos portugueses com a despesa. Face a constrangimentos orçamentais, o recurso a soluções financeiras complexas, aluguer de longo prazo ou modelos de subscrição avançada permanece abaixo do observado a nível internacional.

Quando questionados sobre outras estratégias de ajuste financeiro, apesar de 46 % apontar a procura por alternativas mais baratas como primeira opção, logo em seguida três em cada dez portugueses admitem que preferem abdicar da compra na totalidade.

Já as compras que avançam revelam uma lógica baseada na estimativa de “preço razoável” segundo a ótica dos consumidores, procurando em primeiro lugar comparar preços de produtos semelhantes entre lojas e marcas e atentar à qualidade percecionada dos materiais de que é feito o produto, revelando uma forte procura por uma boa relação preço-qualidade inegociável.

O estudo destaca ainda o facto de os consumidores nacionais serem rápidos a decidir sobre artigos de uso diário, mas metódicos quando se trata de compras de alto valor. Esta dualidade reflete-se nos seus hábitos de compra: são “extremamente vigilantes” em relação ao preço de bens essenciais, como alimentos, mas menos atentos aos preços de bens não essenciais, como assinaturas digitais. Também mais de metade dos inquiridos define o que considera ser um preço justo com base nas suas experiências pessoais passadas com o respetivo produto ou insígnia, enquanto no panorama internacional esse critério é referido por apenas 41 %.

As marcas próprias estão entre os grandes vencedores deste novo paradigma de consumo. Portugal distingue-se inclusive internacionalmente pela adesão expressiva a esta opção, ultrapassando de forma consistente os níveis médios observados nos restantes mercados. Esta tendência é particularmente notável em produtos domésticos e alimentos congelados. A confiança nestes produtos é também muito superior ao panorama internacional, uma vez que, quase noves em cada dez pessoas consideram que a qualidade oferecida é equivalente à das marcas tradicionais, enquanto no conjunto dos outros países estudados esse valor é ligeiramente inferior.

Simão Raposo

Quarta-feira, 03 Dezembro 2025 10:58


PUB