O mercado nacional é interessante e desafiante, mas limitado em termos de crescimento. Muitas vezes, é demasiado pequeno para empresas com ambição e potencial para ultrapassar fronteiras e conquistar novos públicos e clientes lá fora.
Dados do INE – Instituto Nacional de Estatística, relativos a março de 2022, mostram que as exportações de bens atingiram os 6.604 milhões de euros, o valor mais elevado de sempre. Um crescimento de 10,7% num mês e de 13,6 % em relação a março de 2021. Estes números mostram que produtos e serviços portugueses estão a chegar mais longe e que existe cada vez mais vontade, por parte das empresas, em encontrar novos caminhos.
É claro, para a maior parte das empresas, que o caminho para a internacionalização passa também pelo digital. E é justamente aqui que surge um dos grandes desafios.
Chegar a novos mercados implica conhecer os procedimentos aduaneiros, a legislação desse país no que respeita, por exemplo, a rotulagem ou a direitos dos consumidores. Todas estas normas estão escritas e, com menor ou maior dificuldade, as empresas conseguem percebê-las, segui-las e adaptar o seu negócio a essas exigências.
Então, e a comunicação? Como despertar o interesse e fazer com que consumidores de outros países se tornem clientes leais? A questão não se coloca apenas em temas relacionados com a língua e não se resolve com a simples criação de um site em inglês. Estamos a falar de concorrência a nível global. No digital, o seu produto ou serviço compete com produtos ou serviços de todo o mundo. Uma realidade que se torna mais complexa se, no mercado de destino, os consumidores tiverem um nível de exigência elevado e expectativas altas em relação às empresas e aos produtos e serviços que compram.
Tenha ou não recorrido ao marketing digital no caminho para a internacionalização, está na altura de pensar mais a sério neste assunto. Ganhar competências no mercado global digital não é uma opção; é mesmo um caminho imperativo a seguir, sob pena de não conseguir o merecido lugar de destaque.
A questão do idioma é importante, sobretudo para criar conteúdo apelativo e valioso, que possa levar a que se diferencie da concorrência. Mas, é igualmente importante saber qual o conteúdo que tem mais impacto junto dessa audiência.
Se, em alguns mercados e para alguns consumidores, blogues e redes sociais podem fazer a diferença, noutros poderá ser necessário ir mais longe e apostar em vídeos e animações. Em breve, até é provável que tenha de avançar ainda mais e pensar em como tirar partido do metaverso.
Há ainda que ter em conta que as estratégias para o B2C são diferentes das do B2B. Que o conteúdo, seja em que formato for, tem de ser “distribuído” para chegar ao público alvo e que o que funcionou num passado recente pode já ter sido ultrapassado.
Parece complexo? Talvez, mas, tal como procurou conhecer as normas e especificidades de cada mercado, deve alocar uma parte do seu esforço e orçamento para perceber o consumidor e a melhor forma de passar a sua mensagem.
O marketing digital é, afinal, mais um apoio na internacionalização da sua empresa.
Ana Bicho, CEO da WACE, spin off da Adclick

