Briefing | A ComSom foi criada em 1994. Qual é o posicionamento que assume no mercado?
José Guerreiro e Mário Brito | A ComSom está na vanguarda da criatividade e da produção audiovisual em Portugal. Esse é, desde sempre, o nosso posicionamento e o nosso drive. Quando pouco se falava de animação 3D, já nós desenvolvíamos filmes para várias organizações e marcas. Poucos dias depois do início da pandemia em Portugal, tínhamos já construído um estúdio profissional de televisão nos nossos escritórios e, em menos de um ano, produzimos mais de 100 sessões virtuais.
A rápida identificação de tendências e a adaptação técnica às necessidades do momento acontecem ao mesmo tempo que desenvolvemos toda a produção clássica, entre publicidade, grandes formatos indoor e outdoor, news media e corporate TV. O nosso expertise e know-how assumem ainda maior robustez por fazermos parte do grupo LPM e trabalharmos de forma integrada com outras competências da comunicação. Aqui, formámos o VideoHub, uma equipa com vasta experiência, que integra técnicos, designers, copy e produção.
Que mudanças encontram no mercado desde a abertura?
O setor da produção audiovisual está em constante mudança e atualização. Desde que estamos no mercado, já assistimos à passagem do analógico para o digital, do SD para o HD e 4K, e, mais recentemente, grandes formatos que começam a definir novos standards. Naturalmente, para tudo isto, contribuiu um formidável avanço em tecnologia. O digital abriu novas portas ao audiovisual, os vídeos fazem parte do nosso dia a dia, a toda a hora, na maioria dos formatos, no telefone ou no tablet, no carro ou na rua.
Temos uma equipa a produzir um vídeo corporativo para um banco e, ao mesmo tempo, outra equipa a produzir vídeos para o TikTok de uma marca de cosmética. Pensem bem: quantos vídeos já viram nas últimas 24 horas?
O que consideram distinguir a produtora da concorrência?
A adaptabilidade. Procuramos sempre estar em sintonia com as necessidades e a evolução do mercado. Nunca tivemos uma visão e um posicionamento tradicionalistas no setor.
Como se concretiza a inovação numa empresa com 27 anos?
O facto de estarmos integrados num grupo de comunicação permite-nos melhor compreender os desafios das organizações e das marcas numa perspetiva global. Quanto mais as nossas equipas enfrentam desafios e lhes respondem com êxito, mais forte fica a estrutura: mais ágil, criativa e robusta. A par disso, temos no nosso ADN o ímpeto da procura incessante por novas abordagens e paradigmas de criatividade, do investimento em novas tecnologias e, claro, da formação das nossas pessoas. Temos conseguido fazê-lo, e com boa performance. Acabou de ser atribuído à ComSom o estatuto de PME Líder 2021.
Qual foi o impacto da pandemia na atividade?
O impacto da pandemia acabou por criar um novo desafio para a empresa. Os eventos virtuais foram um produto de eleição nesta fase da vida global, mas não só. Oferecemos ao mercado soluções adaptadas e alternativas na comunicação audiovisual. O investimento que a ComSom fez nesta altura acabou por se tornar decisivo para a nossa atividade, criando um impacto bastante positivo na oferta de novas soluções ao nível nacional e internacional.
Crescemos bastante no mercado das exportações. Temos desenvolvido projetos, especialmente no mercado do Médio Oriente e de África, que passam pela criação de soluções criativas digitais e de vídeos para eventos internacionais. São disso exemplo: o grupo de países do G20, a segurança mundial cibernética, a sustentabilidade global, a inteligência artificial, o desenvolvimento da agricultura em África e os eventos anuais do African Development Bank.
Como anteveem que o mercado nacional se vai reorganizar?
A pandemia acabou por reorganizar de alguma forma o mercado audiovisual, dando preferência à inovação, tecnologia e a uma oferta mais competitiva. Também a procura por conteúdos audiovisuais diferenciadores, e em linha com as tendências de pensamento em comunidade e orientada para as pessoas, será certamente um fator que vai moldar o mercado nos próximos tempos.
Organizaram um evento interno da Caixa Geral de Depósitos que reuniu mais de 4.500 pessoas, ligadas em zoom num ledwall, em direto. Quais foram os desafios?
Este desafio teve características únicas ao nível mundial. Reunir numa única sessão interna, online, quase cinco mil pessoas. Criamos um cenário com ledwall, em que foram cerca de 500 os rostos visíveis de cada vez, num esquema rotativo que deu a oportunidade a todos os colaboradores de protagonizarem o palco da reunião. Foi um projeto de elevada complexidade, que utilizou novos recursos técnicos, os quais realizámos em apenas três dias. E foi um sucesso.
Que outros desafios vos propõem os clientes?
Os clientes da ComSom pedem-nos respostas criativas, rápidas e tecnologicamente robustas. É efetivamente o nosso maior desafio e o drive que procuramos transmitir todos os dias às nossas equipas: manter os padrões de qualidade que são fundamentais no ADN da ComSom, ao mesmo tempo que temos a capacidade de produzir em larga escala. Conseguimos fazê-lo, aliando recursos com muita experiência, dimensão e brio, e a estrutura de um grande grupo de comunicação como a LPM.
Onde identificam as potencialidades de crescimento?
Estamos a crescer no mercado internacional, que já representa 35% da faturação da ComSom. No mercado interno, notamos que a produção audiovisual orientada para as redes sociais é um importante segmento em crescendo.
Quais as perspetivas e ambições para o futuro próximo?
Solidificar o crescimento e as apostas feitas na diversificação da oferta de formatos, abordagens e serviços na produção audiovisual, mantendo sempre a qualidade da produção e a realização dos trabalhos, fatores-chave para a garantia de sucesso no futuro.
Carolina Neves
*Esta entrevista pode ser lida na íntegra na edição impressa de abril de 2022

