De espaços de compra a espaços de comunidade: a nova realidade do retail

Num contexto em que o digital tem cada vez mais força, os centros comerciais consolidam-se como “verdadeiros espaços de vida”. O Marketing Manager do 8ª Avenida, João Diogo Neves, explica de que forma é que este espaço se tem reinventado, através da promoção de diversas  iniciativas, de forma a responder às expetativas de quem procura “autenticidade, utilidade social e experiências memoráveis”.

De espaços de compra a espaços de comunidade: a nova realidade do retail

Em Portugal, poucas infraestruturas evoluíram tanto como os centros comerciais. Durante décadas foram concebidos apenas como espaços de consumo, mas atualmente são muito mais do que isso: são dinamizadores da comunidade, geradores de emprego e impulsionadores de atividade económica e cultural. Num país onde o retail mantém uma resiliência notável, com aumentos de afluência e vendas, torna-se evidente que estes espaços continuam a ser relevantes, não só comercialmente, como na forma como estruturam a vida coletiva.

A razão é simples: as pessoas procuram experiências reais. O EY Future Consumer Index 2024 revela que muitos dos consumidores querem ver e tocar nos produtos antes de os comprar e valorizam o atendimento personalizado. Mas o que verdadeiramente motiva a visita é a possibilidade de conviver, descobrir e participar em algo que pertence ao seu território e identidade local.

Por isso, os centros comerciais consolidaram-se como verdadeiros espaços de vida. Música, arte, feiras temáticas, debates, iniciativas educativas e espetáculos ao vivo já fazem parte do ADN do retail contemporâneo. Esta transição não é apenas marketing: responde às expetativas culturais de quem procura autenticidade, utilidade social e experiências memoráveis.

É essa visão que orienta o trabalho no 8ª Avenida. A programação cultural inclui iniciativas que há poucos anos seriam impensáveis num centro comercial: festivais de jazz, exposições fotográficas, encontros literários, campanhas de sensibilização e showcookings (alguns tão orgânicos como o primeiro showcooking do viral Chocolate do Dubai, com as inscrições a esgotarem em minutos). Esta evolução confirma que a cultura é um conector poderoso entre marcas e pessoas e que a verdadeira proximidade não se constrói com descontos, mas sim com significado.

Em São João da Madeira, o 8ª Avenida tornou-se num exemplo, não pela escala comercial, mas pelo papel social. Aqui, a cultura reforça a identidade regional e democratiza o acesso a propostas artísticas que, de outra forma, ficariam restritas a salas especializadas. Iniciativas como o “Novembro Jazz” comprovam que um centro comercial pode (e deve) ser um palco cultural legítimo e apreciado.

Há também espaço para criar tradição. O espetáculo “O Quebra-Nozes na Avenida”, dividido em vários atos, abriu caminho para uma nova abordagem: desenvolver produtos culturais originais, pensados para a comunidade. Este ano, com o “Sozinho na Avenida”, um musical inspirado num imaginário familiar universal, reforça-se a ideia de que a cultura vivida em comunidade gera pertença.

Os centros comerciais já não dinamizam apenas a economia local, dinamizam a vida cultural das cidades. Quando geridos com uma visão ativa, próxima e humana, tornam-se em verdadeiros centros de vida, onde o comércio acontece, mas onde o mais importante é que a cultura acontece.

João Diogo Neves, Marketing Manager do 8ª Avenida

Quinta-feira, 11 Dezembro 2025 10:48


PUB