De Goldroom ao Snapchat em apenas um swipe. Confuso?

Paula Cordeiro, InvestigadoraA música não me apanhou à primeira, como já antes aconteceu com as produções de Goldroom, alter-ego do produtor Josh Legg. Goldroom soa sempre a Verão, talvez por força da influência de Los Angeles que o leva a criar música aparentemente simples, com base em sofisticados detalhes electrónicos, surpreendentes não apenas no refrão.

Este não é, contudo, um artigo sobre música, menos ainda uma crítica musical. É antes um artigo sobre formas inovadoras de comunicar.

Quem acompanha a música e as novidades musicais sabe que há locais certos para as encontrar. No entanto, também esses “locais” estão em redefinição e, apesar de, com algum esforço, conseguirmos encontrar o novo single de Goldroom (“Embrace”) na web, em boa verdade, o artista está a promovê-lo através do Snapchat.

Goldroom anunciou ontem na sua página de Facebook que o single de apresentação do seu novo EP (“It’s Like you never went away”) estaria disponível no Snapchat. Explicou ainda tratar-se de uma colaboração com a equipa desta aplicação para criarem um vídeo, dividido em quatro partes – quatro vídeos, portanto – publicados na página “Discover” do Snapchat.

Movida pela curiosidade, entrei no Snapchat. A confusão habitual que quem usa a app de quando em vez, para a surpresa total quando, carregando no símbolo da app nesta página Discover* se abriu um admirável mundo novo, do ponto de vista gráfico e visual, com o próprio Josh a apresentar o que se seguia. O conteúdo fica em repetição até fazermos swipe à página para continuarmos a descobrir. Outra página: novo grafismo, novo visual para introduzir outro excerto do vídeo desta nova produção. Agora, um excerto da música, acompanhado de cenas do vídeo de apresentação da mesma e a informação de que se trata de uma premiere…

Depois, Josh explica o que fez e como fez, directamente do estúdio. Se usarmos a seta entramos, então, no âmbito da produção, com explicações de Josh, momentos da gravação e edição desta música. Tudo com dinamismo e movimento sem recorrer a uma velocidade demasiado rápida. É, simplesmente uma nova forma de contar a mesma estória. Mas melhor. Especialmente se estivermos à espera de ser surpreendidos. No final, a música, para ouvir, acompanhada da letra para ler. Para fechar, o convite para voltar no dia seguinte, para mais uma pequena sessão de Goldroom.

Porque é que isto interessa a quem não está especialmente interessado nas novidades musicais ou, mesmo, quem não faz ideia de que tipo de musica é a de Goldroom? Não interessa. A não ser que percebam que eu já não sou exactamente o target do Snapchat e que este, através da música (da qual sou efectivamente target) me levou até lá. E ainda me fez partilhar (com os meus poucos contactos nesta aplicação, reconheço) uma das imagens desta composição em torno de Goldroom. Ou seria em torno do Snapchat?

* A página “Discover” do Snapchat traduz a tentativa da app em se conectar com outros públicos e introduzir marcas e órgãos de comunicação social na plataforma. É, de acordo com o próprio Snapchat, uma nova forma de explorar as estórias disponíveis de um ponto de vista editorial, criando um novo estilo de storytelling. E, acrescentam, não é social media. O conceito não se baseia no que é mais recente ou mais popular mas antes na curadoria editorial para definir o que é relevante. E isso, faz toda a diferença, num reino dominado por cliques e shares. Ou likes comprados ao desbarato. Tem também outras características mas, sobre isso, poderei escrever outro dia.

Este artigo é escrito ao abrigo do anterior acordo ortográfico, por vontade da autora.

Quarta-feira, 20 Maio 2015 08:33


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