Independente Lisboa-Bica: o ativismo social hospeda-se neste novo hotel

Há um novo hotel na capital portuguesa: o Independente Lisboa-Bica é a mais recente abertura dos irmãos Bernardo e Duarte D’Eça Leal e junta a simplicidade da estética japonesa ao ativismo social, de mãos dadas com o projeto Manicómio.

Independente Lisboa-Bica: o ativismo social hospeda-se neste novo hotel

São quatro pisos numa antiga pensão da Rua de São Paulo, ao Cais do Sodré, que remonta a 1849. Esta é, pelo menos, a data inscrita na porta principal, mas não existem registos de que seja correta. Origens à parte, o que os dois empresários se propuseram foi converter o espaço num hotel moderno que celebra a ligação entre as culturas portuguesa e asiática, mas com o que definem como “uma oferta de hospitalidade não convencional”.

O minimalismo nipónico está presente no design de interiores, com o mobiliário a ser feito à medida a partir de bétula sustentável. São 41 quartos, de várias tipologias, incluindo uma que permite acolher seis pessoas – o quarto Friends.

Visando unir locais e visitantes, a entrada do hotel é ampla e dá acesso a um lobby que é, ao mesmo tempo, restaurante e receção. É – nas palavras de Duarte D’Eça Leal – como uma matrioska, de onde saem bonecas atrás de bonecas. Aqui, a receção é mínima, como que encastrada no balcão que apoia o bar e restaurante.

Chama-se Bica-San e tem ao leme o chef Bruno Antunes, que se propõe servir petiscos portugueses inspirados no intercâmbio mercantil com o Japão. Conta a história da viagem imaginária de “um gajo da Bica” que, ao conviver com os japoneses, acaba por ir adaptando os seus pratos preferidos, incorporando ingredientes como dashi e soja. Este é o primeiro de três restaurantes pensados para o Independente Lisboa-Bica, mas os outros dois ainda estão no segredo dos irmãos.

O que não é segredo é a vontade de aplicar uma filosofia que é mais do que sustentabilidade ambiental, é também socioeconómica. Daí a proximidade ao projeto Manicómio, que promove trabalhos de artistas com problemas de saúde mental. A propósito, um dos fundadores, Sandro Resende, sublinhou, na inauguração do hotel, que em causa está a dignidade humana. “As pessoas, quando fazem projetos sociais, esquecem-se da parte financeira”, comentou, especificando que comprar quadros destes artistas é contribuir para a sua dignidade – humana, social, financeira.

No Independente Lisboa-Bica, são 63 os que estão presentes nos diversos espaços, do lobby restaurante aos quartos, passando pela escadaria que acompanha os quatro pisos da antiga pensão. De acordo com Duarte D’Eça Leal, o hotel beneficia desta qualidade artística, mas o que está em causa é mais do que isso: é participar no diálogo e encontrar soluções. É “um caminho a dois” que vai permitir, nomeadamente, que todos os colaboradores possam solicitar anonimamente, uma consulta através do Manicómio, no entendimento de que a saúde mental é um problema real no setor da hospitalidade.

“O nosso primeiro cliente são as nossas equipas. Sabemos que um negócio saudável, que se perpetua, precisa de ser rentável, mas um colaborador motivado, com sustentabilidade financeira e emocional é fundamental”, justificou.

Depois desta inauguração, que, em setembro conhecerá a segunda etapa, o Independente – antes The Independente Collective – ruma à Comporta. Do seu portefólio fazem igualmente parte o Independente Lisboa – Príncipe Real e a House of Sandeman – By Independente, em Vila Nova de Gaia.

Fátima de Sousa

 

 

 

Quinta-feira, 03 Agosto 2023 12:24


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