A eficiência energética, a economia circular, os materiais sustentáveis e a responsabilidade na cadeia de valor. São estes os quatro pilares nos quais a estratégia ambiental da Miele assenta. Este é um pacto que se inicia nas unidades produtivas, que, desde 2021, operam com neutralidade carbónica, com recurso exclusivo a eletricidade de origem renovável. Além disso, a marca integra a iniciativa Science Based Targets, que visa a redução de 15 % das emissões indiretas até 2030, nomeadamente as associadas ao uso dos produtos, onde se concentra mais de 80 % da pegada de carbono. Em paralelo, têm sido introduzidos plásticos reciclados em componentes internos, como nas mais recentes máquinas de lavar loiça, e tem-se promovido um programa contínuo de substituição de materiais virgens por alternativas mais sustentáveis.
Em declarações à Briefing, a Brand Activation Manager da empresa em Portugal adianta que 50 % do orçamento de Investigação e Desenvolvimento (I&D) é canalizado para soluções sustentáveis. Rita Monteiro destaca exemplos desta aposta em opções sustentáveis, como a nova geração de máquinas de lavar loiça (G 5000 Active) e de frigoríficos e congeladores integráveis com classificação energética máxima, “sem comprometer a performance nem o conforto de utilização”. Já nos eletrodomésticos de tratamento de roupa, tecnologias como o “PowerWash”, que consiste na lavagem “altamente eficiente” em menos tempo, permitem reduzir o consumo de água e energia, garantindo ao mesmo tempo um cuidado têxtil “superior”.
Uma das características comuns a toda a oferta de produtos é o facto de serem desenhados para durarem o equivalente a 20 anos de utilização e concebidos com materiais de “elevada qualidade”, fáceis de desmontar, reparar e reciclar. A responsável diz ainda que são disponibilizadas peças de substituição por um período de até 15 anos após a descontinuação do modelo, o que promove as reparações em detrimento das substituições.
A digitalização é outro dos vetores em que há um foco crescente. Um exemplo é a transição para manuais de instruções digitais que está a ser feita e que permite reduzir cerca de 1.500 toneladas de papel por ano, o que equivale a 1/7 do Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa. Outro caso é a app Miele@home, que permite ao utilizador controlar os aparelhos remotamente, adaptando os consumos à rotina e otimizando os ciclos de lavagem ou confeção. Para Rita Monteiro, esta conectividade promove uma utilização “mais racional” dos recursos e contribui diretamente para a redução da pegada ecológica.
Adicionalmente, de forma a compensar o impacto no planeta, a empresa desenvolve projetos de reflorestação, como o “Miele Forest”, e assegura auditorias ambientais a 100 % dos seus fornecedores diretos, reforçando o pacto com uma cadeia de produção responsável. A Brand Activation Manager considera que o objetivo a longo prazo é “claro”: aproximar-se cada vez mais de um modelo “Net Zero Waste”, em que o impacto ambiental da atividade seja residual em todas as fases do ciclo de vida do produto.
Contudo, a preocupação com a sustentabilidade deve ir além do ambiente, uma vez que a mesma é encarada como “um conceito holístico”. Isto reflete-se na integração dos princípios do Global Compact das Nações Unidas, na assinatura da Carta da Diversidade e na adoção de uma abordagem “ativa” à inclusão, igualdade de oportunidades e bem-estar no local de trabalho. Já em Portugal e Espanha, a marca participa em projetos educativos, apoia causas sociais e colabora com universidades e instituições de ensino técnico, promovendo o talento jovem e uma cultura de responsabilidade corporativa com impacto local.
Apesar de o setor dos eletrodomésticos ter a intenção de transitar para um modelo mais sustentável, a responsável confessa que existem “vários desafios estruturais”. Desde logo, a escassez de matérias-primas e componentes com menor impacto ambiental que dificulta o desenvolvimento de soluções “verdadeiramente circulares”. A isto soma-se a necessidade de equilibrar a sustentabilidade com a acessibilidade económica. Outro fator “crítico” é a literacia ambiental, tanto dos consumidores como dos profissionais do setor, pelo que tornar visível o valor da eficiência energética, da durabilidade e da reparação continua a ser uma missão “essencial” para acelerar escolhas “conscientes”.
No que diz respeito ao futuro, está previsto o lançamento de novas gerações de produtos com ciclos “mais inteligentes e consumos mínimos”, bem como o uso crescente de materiais recicláveis e componentes sustentáveis, tanto nos produtos como nas embalagens. Já do ponto de vista ambiental, a Miele estabeleceu metas, tais como: até 2030, pretende reduzir em 50 % as emissões diretas e em 15 % as emissões indiretas relacionadas com o uso dos produtos, em comparação a 2019. Paralelamente, estão em curso investimentos em logística e produção mais sustentáveis, com projetos próprios de energia renovável – como sistemas fotovoltaicos e geotérmicos nas unidades de fabrico –, além da eletrificação progressiva da frota de transporte e da mobilidade interna.
Rita Monteiro define que o objetivo para os próximos anos é continuar a ser o “parceiro de referência” em sustentabilidade e inovação, tanto para os consumidores finais como para profissionais e promotores imobiliários.
Compromisso premiado
A Miele foi recentemente distinguida com o prémio Marca de Confiança Ambiente 2025. Na perspetiva da Brand Activation Manager, esta distinção representa o reconhecimento do mercado e, sobretudo, dos consumidores portugueses, pela consistência do compromisso ambiental e da proposta de valor. A responsável diz ainda que este é um galardão que não destaca apenas um produto, mas sim uma filosofia: “a de desenvolver soluções tecnológicas que conciliem desempenho, durabilidade e sustentabilidade, com um design atemporal e uma experiência de utilização excecional”. Para Rita Monteiro, esta é uma validação da aposta “contínua” em inovação responsável e da visão de longo prazo, onde “sustentabilidade e qualidade caminham lado a lado”.
Simão Raposo


