Justificando o caminho traçado, Nuno Santos comenta que a marca tem estatuto e potencial para ser charneira do vinho verde, nomeadamente atendendo ao seu histórico: afinal, é a mais antiga em termos de registo.
A primeira etapa, até 2025, é atingir os 2,5 milhões de garradas por ano, o que corresponde a duplicar a atual capacidade: “Se o conseguimos, provavelmente, entraremos no top 10 das marcas de vinho verde.” Mais cinco anos, e a fasquia está colocada nos quatro milhões de garrafas, o que permitirá entrar no top 5.
Enquanto isso, a Enoport Wines propõe-se levar Lagosta para novos segmentos, com o intuito de acrescentar valor à marca e aos vinhos verdes. A começar por vinhos varietais, de modo a desmitificar a ideia de que o vinho verde sabe sempre ao mesmo, que tem sempre o mesmo grau de açúcar e de gás. Nuno Santos acredita que nos últimos anos se começou a criar no consumidor a ideia de que o vinho verde pode fazer “vinhos fantásticos, com um grau de complexidade igual ou maior do que outras regiões”. E, por isso, aproveitando a capacidade produtiva e a apetência do mercado, o Lagosta vai ser desconstruído, isto é, dividido nas suas castas – loureiro, trajadura e arinto, no caso do branco. Será lançado um por ano, evidenciando as características de cada casta. O mesmo para o rosé – espadeiro e padeiro.
Do portefólio de novidades faz igualmente parte um espumante, com uma casta pouco conhecida – azal – e que se enquadra no propósito de homenagear as “capacidades escondidas” do vinho verde. Com “uma acidez fabulosa e um grau bastante equilibrado”, vai apresentar-se com duas faces – bubbles e sparkling, uma mais mainstream, para preferências mais simples, e outra, mais complexa e elaborada, que permita “ombrear com os melhores”.
E, para “refletir uma tendência”, chegará ao mercado Lagosta low cal, isto é, um vinho com baixas calorias que vai “ao patamar mínimo de grau alcoólico e de açúcar”. É, diz Nuno Santos, um desafio para a enologia, pois envolve fazer um vinho para o público que valoriza aquelas características e, em simultâneo, proporcionar uma experiência sensorial.
“Como marca com 120 anos, não íamos balizar por baixo. Se alguma coisa a Enoport há de fazer ao Lagosta é dignificar esses 120 anos”, comentou, suportando, assim, a ambição evidenciada para a marca.
Fátima de Sousa

