O vinho passou a viver no feed

O assistente comercial da Vinalda, Máximo Monteiro, reflete sobre as novas exigências de comunicação da Geração Z no setor vitivinícola.

O vinho passou a viver no feed

Durante décadas, o vinho viveu num espaço muito próprio. Entre garrafeiras, restaurantes e provas formais, construiu uma linguagem, um conjunto de códigos e etiquetas, como de um guião se tratasse. Funcionou. Durante muito tempo, funcionou bem.

Mas o contexto mudou.

Hoje, uma recomendação pode vir de um reels de 15 segundos. Uma garrafa pode esgotar porque alguém a tornou viral. Um bar pode ficar cheio por causa de uma trend. O vinho deixou de viver apenas nas garrafeiras — passou a viver no feed.

A Geração Z não gira o copo, faz scroll. Não espera validação para consumir, nem procura aprovação para gostar. Experimenta, decide e segue em frente. E, acima de tudo, valoriza o que faz sentido no seu contexto — segue a sua própria ‘vibe’.

Não por falta de interesse, mas por excesso de complicação. Por uma comunicação que ainda fala difícil, que se apoia num manual extenso complexo e confuso e que, muitas vezes, esquece que comunicar não é impressionar — é ser entendido.

A nova geração não rejeita o vinho. Rejeita etiquetas. Rejeita barreiras.

Rejeita a ideia de que há uma forma certa de beber, de escolher ou de falar sobre vinho. E isso obriga o setor a fazer uma pergunta desconfortável: será que o problema está em quem consome ou na forma como continuamos a apresentar o produto?

Esta geração quer autenticidade, clareza e proximidade com o vinho, quer poder entrar num wine bar sem sentir que está a ser testado. Quer escolher uma garrafa sem precisar de traduzir o rótulo. Quer gostar sem ter de justificar.

No fundo, quer aquilo que sempre devia ter sido garantido: uma relação simples com um produto complexo.

Fazer um verdadeiro CTRL Z ao snobismo vínico — não à tradição, mas à forma como ela foi comunicada. Retirar as etiquetas, simplificar o acesso, aproximar o discurso.

Porque no fim, a questão não é se a Geração Z vai beber vinho. A questão é: que vinho é que vai escolher beber? E a resposta? A resposta é simples:

– O futuro do vinho pertence a quem souber falar a linguagem da Geração Z.

Máximo Monteiro, assistente comercial da Vinalda

Terça-feira, 05 Maio 2026 10:33


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