Cresci a ouvir que aguentar dores “faz parte”. Aguentar o treino, a dor, a rotina. Hoje, carrego em CTRL Z nesse mindset. A nossa geração não quer aguentar – quer sentir. Quer resultados, sim, mas também quer presença, comunidade e sentido. E é aqui que o bem-estar deixou de ser um check na lista para se tornar um requisito. O padel entra exatamente nesse espaço.
Vejo a saúde e o bem-estar como algo menos rígido e mais fluido. Não é só sobre corpos definidos ou métricas perfeitas no smartwatch. É sobre equilíbrio mental, social e físico. É sobre sair de casa, desligar do scroll infinito e ligar-nos a pessoas reais. O padel, para mim (e, para muitos), não é apenas um desporto. É um pretexto socialmente aceite para cuidar de nós – sem parecer uma obrigação, que facilmente se torna um “vício”.
O comportamento do consumidor mudou porque o contexto mudou. Vivemos cansados, numa realidade muito rápida, com muitos estímulos e de forma sempre online. Procuramos atividades que nos deem resultados sem nos esgotarem emocionalmente. O padel é rápido de aprender, altamente social e não exige uma performance de atleta olímpico para ser divertido. Não intimida. Convida. E isso faz toda a diferença.
Há algo muito Gen Z nesta relação com o bem-estar: queremos sentir progresso, mas ao nosso ritmo. Queremos serviços que se adaptem a nós, não o contrário. Os clubes de padel funcionam cada vez mais como hubs – com ginásio, bar e restaurantes com opções saudáveis, gabinetes de fisioterapia e nutrição, eventos after-work, club kids, etc. Não vendem apenas campos. Vendem lifestyle.
Enquanto praticante, noto que já não escolhemos só pelo preço. Escolhemos pela experiência, inovação e pelo ambiente. Pela marca que nos faz sentir parte de algo. O padel cresceu porque percebeu exatamente isso. Criou comunidade antes de criar performance. E hoje, quem experimenta, fica – não só pelos benefícios físicos (que existem e são reais), mas pela sensação de pertença.
O que procuramos? Procuramos resultados que façam sentido para a nossa vida real. Menos promessas irreais e mais consistência. Menos “transformações em 30 dias” e mais hábitos sustentáveis. O bem-estar deixou de ser aspiracional para ser funcional. Queremos sentir-nos melhor depois de jogar, não culpados por faltar a um treino. Queremos suar, rir, competir de forma saudável e sair com a cabeça mais leve do que quando entrámos.
Há também uma mudança clara no desenvolvimento de serviços. O consumidor está mais informado, mais exigente e menos fiel por defeito. Marcas e espaços que investem em bem-estar hoje têm de pensar como plataformas inovadoras, não como apenas produtos. Personalização, tecnologia que simplifica, comunicação honesta e zero bullshit. Se algo não faz sentido, cancelamos sem problemas.
O padel encaixa neste mindset porque não se leva demasiado a sério – mas leva as pessoas a sério. Não exige uma identidade específica. Não se tem de “ser fit” para começar. Podes ser iniciante, intermédio, competitivo ou só alguém que quer mexer o corpo depois de um dia de trabalho. Há espaço para todos. E isso, num mundo cada vez mais intenso, é poderoso.
No fundo, a nossa geração vê a saúde e o bem-estar como uma construção contínua. Não é um destino, é um processo. E processos precisam de ser flexíveis. O sucesso do padel mostra que quando uma atividade entende as motivações reais das pessoas – conexão, progresso e equilíbrio – o crescimento acontece de forma orgânica. Por isso, é hoje uma referência mundial.
Além disso, a Geração Z é muitas vezes rotulada como desligada, pouco comprometida ou sem motivação. Mas talvez o problema nunca tenha sido a falta de vontade – foi a falta de identificação. Quando algo faz sentido, quando é social e alinhado com os nossos valores, a resposta é imediata. Não é desinteresse, é critério. Esta geração não se dedica a tudo – dedica-se ao que gosta de verdade. E quando gosta, aparece, insiste, evolui e cria comunidade à volta disso.
Fazemos CTRL+Z na ideia de que o bem-estar tem de ser solitário, sofrido ou exclusivo. Fazemos CTRL+Z na culpa por não fazer “o suficiente”. O futuro da saúde passa por experiências que nos façam querer voltar. Não porque devemos, mas porque queremos. E quando isso acontece, os resultados deixam de ser apenas físicos. São mentais, sociais e, acima de tudo, humanos.
Talvez seja isso que procuramos afinal: formas de cuidar de nós que não nos peçam para ser outra pessoa. Apenas uma versão um pouco melhor – e mais feliz, de quem já somos.
Joana Dias, Account Business da LPM

