Temos de ter FOME e não podemos ser calões

No aniversário, a Briefing lançou um desafio: elaborar uma espécie de Manual de Reinvenção, de acordo com a sua experiência. Este é o do Head of Digital Hub & E-Business da Sumol+Compal, Bruno Oliveira.

Temos de ter FOME e não podemos ser calões

Adorei quando me pediram um guia prático sobre como nos podemos reinventar, por isso, a primeira dica que repito à minha equipa e aos meus alunos é simples: “não sejam calões”, porque facilmente com a tecnologia ficamos reféns do botão de IA.

Neste artigo, partilho quatro dicas de como podemos reinventar com o segundo botão:

1. Termos FOME e não FOBO (medo de ficar obsoleto)

Em vez de termos FOBO (Fear of Becoming Obsolete), precisamos de cultivar FOME (Foco, Observar, Mudar, Experimentar). 

Ser autodidata é fulcral, mais do que uma buzzword, deve ser um hábito diário com intenção. 

Além disso, é essencial investimento em formação curta e recorrente. Paralelamente, não se deve hesitar em pagar pelo acesso a canais de informação de qualidade. Plataformas, como canais de WhatsApp, são ferramentas dinâmicas para receber notícias, acompanhar tendências e participar em comunidades temáticas. 

Resumindo, deves usar as plataformas nativas que usas no dia a dia, e incluir conhecimento e não apenas entretenimento.

2. Sermos H2H (Human to Human) 

A tecnologia está em todo o lado e a IA já é o nosso assistente, útil na vida pessoal e no trabalho, mas nada substitui o contacto humano. Precisamos de o alimentar para sair da bolha e, sobretudo, para explorar e debater ideias sem julgamento. 

Muitas vezes, é uma conversa de café, uma ida a uma conferência ou a uma talk que desbloqueia novas ligações: o famoso networking, que só faz sentido quando se está focado na partilha real de ideias e em momentos de troca direta. É aí que o conhecimento acelera, surgem novas perspetivas e consolidamos aprendizagens.

Para isso, recomendo reservares pelo menos trimestral x tempo para conversas ou networking, sendo muito importante saíres da tua bolha.

3. Mais curadores, menos executantes

Andar em piloto automático é o nosso fim.

O nosso papel mudou. Deixámos de ser executantes para sermos curadores.

E ser curador não é só “filtrar informação bonita” para parecer que sabemos muito. É assumir que a máquina executa, mas nós pensamos. Ela gera resultados em segundos, mas não sabe se a pergunta faz sentido, se os dados estão no contexto certo. Não percebe se aquilo encaixa na realidade do negócio, se está desalinhado com o objetivo ou se, no fundo, é só barulho.

Ser curador é pôr a máquina a trabalhar, mas não largar o volante, e, por isso, é fundamental decidir o que entra e o que fica fora nunca conversa com a máquina. Criar espaço para pensar e transformar execução em visão. A máquina cumpre ordens, mas tu é que defines o porquê e o para quê.

No fundo, é simples: ou ficas no modo “robot automático”, sempre a correr atrás do output, ou assumes o papel de curador que desafia, valida e escolhe o caminho. O primeiro vai ter um futuro difícil, o segundo mantém-se relevante.

4. Otimismo prático: Test & Learn

A curiosidade deve ser o motor, porque nos obriga a procurar, a escutar e a partilhar. Ensinar, seja num artigo, num post de LinkedIn ou numa aula, força-nos a manter essa procura constante. 

Face às mudanças constantes, a atitude certa é ver o copo meio cheio, perceber o que podemos aproveitar e aplicar. E, por isso, otimismo é olhar para a mudança como oportunidade de aprender, trocar experiências e evoluir. O Test & Learn traduz bem esta visão, experimentar em pequeno, medir, partilhar resultados. Ver o copo meio cheio significa não ficar preso nos problemas, mas focar-se na solução e no que podemos construir a partir dela.

Concluindo, reinventar não exige manifestos. Exige hábitos. FOME para estudar com intenção, H2H para decidir com humanidade, curadoria para dar direção e ser otimista para aceitar a mudança. O resto é ruído.

Bruno Oliveira, Head of Digital Hub & E-Business da Sumol+Compal

Terça-feira, 14 Outubro 2025 12:39


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